CONSUMO SUSTENTÁVEL

Reduzir, reutilizar, reciclar. Os três Rs da sustentabilidade podem significar muito mais do que uma proposta de um futuro mais verde, mas também uma economia no bolso. Dar um novo destino àquelas coisas que poderiam ir para o lixo é uma maneira bacana de praticar o consumo sustentável. Com isso, vários blogs criaram a tag DIY (sigla para do it yourself, ou faça você mesmo), onde inspiram os leitores a fazerem em casa novos produtos utilizando objetos que já não têm mais serventia. Foi visitando blogs de decoração que a publicitária Isadora Ismério, de 23 anos, decidiu reaproveitar materiais e colocar a mão na massa. Já fez luminária com lata de Nescau, mesinha e sapateira com caixotes de feira.

– Nessa era da sustentabilidade, conseguir reciclar coisas que vão para o lixo é sensacional, e eu estou achando o máximo poder fazer meus próprios móveis! Fora que, atualmente, ninguém precisa gastar rios de dinheiro para ter uma decoração legal, basta pesquisar, liberar a criatividade e adicionar um pouquinho de cor e amor. Agora tudo o que eu vejo, acho que pode ser aproveitado. Dá vontade de sair catando tudo por aí. Meu próximo passo é fazer uma mesinha com disco de vinil – conta Isadora.

Para fazer a arte nos caixotes de feira, lixou por bastante tempo – quase duas horas! – para tirar toda a serragem e deixá-los com a superfície mais lisa. Depois, passou um pano úmido para retirar a sujeira e usou tinta em spray para pintar (esta tinta é fácil de aplicar e seca rápido).

– Foram duas demãos de tinta, uma lata de spray para cada caixa, e deixei secando por trinta minutos. Tem que ter muita paciência, principalmente na parte de lixar, mas o trabalho é gratificante e me deixou orgulhosa. Fiquei admirando a mesinha recém-nascida do lixo por um tempão!

Comprar roupas e outros acessórios em brechós também é outra forma de praticar o consumo sustentável. Brechós são lojas que vendem produtos usados geralmente a preços mais acessíveis. Existem guias espalhados por diversos sites. A estudante de Jornalismo Juliana Sacramento, de 21 anos, dona do blog Tem no meu quintal, tem uma seção exclusiva onde ela conta sobre os achados nos que frequenta. Ela já encontrou blusas, bolsas e óculos a R$ 1,00!

– Eu nunca fui de gastar muito em lojas de roupas e nunca dei muita importância a marcas, por opção. Não vejo sentido em gastar R$ 100 em um pedaço de pano. Quando vi o blog Moda Possível, da Naiá Aiello, vi que existe a possibilidade de comprar roupas bacanas fora das lojas de departamento. Inicialmente veio o consumo, posteriormente, a conscientização. Comprando em brechó, você percebe o quanto de roupa é desperdiçada por causa da lógica do consumismo e, comprando em lugares assim, você acaba ajudando no processo de reutilização dessas peças, em vez de gerar lixo – afirma.

A estudante faz seus trajetos para a faculdade e para o trabalho procurando novos brechós, mas muitos dos que conheceu foram leitoras que indicaram. Para Juliana, o segredo é unir organização e bom preço.

– Agora estou in love pelo Brexópin, em Botafogo, mas isso muda. Às vezes um brechó tem épocas boas, com bastante coisa bacana, e épocas ruins.

Já a estudante de Engenharia Mecânica Paula Calderón, de 21 anos, prefere reciclar roupas de outra forma. Ao invés de ir até brechós, pega as peças que eram de sua mãe e faz alguns ajustes, ou costura.

– Eu comecei a fazer isso porque sempre que comprava roupas novas, encontrava defeitos, pensava que queria algo diferente aqui e ali – explica Paula.

Consumo sustentável, em sua concepção, é se preocupar com as práticas de consumo, isto é, evitar pegar sacos plásticos no mercado ou usar produtos de marcas que são preocupadas com as questões ambientais. Paula faz tudo isso e ainda se preocupa em reutilizar objetos que iriam para o lixo e transformá-los em peças de decoração (garrafas de azeite e de cerveja já viraram vasos de plantas, por exemplo), além de ter sua própria horta de temperos em casa.

– Eu faço isso mais porque tenho pena de jogar tudo fora. Eu guardo achando que posso reusar algum dia – conta.

cerveja-vaso
Fonte: SOS Solteiros

O estudante de Publicidade Pedro Boller, de 24 anos, considera esta “onda sustentável” uma prática válida, mas acha que foi adotada de maneira generalizada pela sociedade num momento muito tardio:

– Espero que adiante alguma coisa para o futuro, mas pelas pesquisas que temos acesso hoje em dia, parece que alguns dos efeitos já são irreversíveis. Paisagens estão sendo alteradas por causa da forma irresponsável com que o ser humano consome os recursos naturais do planeta – pondera Boller.

O estudante garante que, apesar de não ser tão engajado com questões sobre sustentabilidade, no seu dia a dia procura formas alternativas de transporte e não joga lixo no chão.

– Me limito às praticas diárias, mas acho que se cada um fizesse isso já seria uma grande ajuda. Quando compro um produto, o utilizo até praticamente se tornar obsoleto. Meu celular agora é de última geração, mas o anterior ficou comigo por quase cinco anos, o que para os padrões de hoje é quase impensável.

Ser sustentável é algo que está presente na vida da estudante de Jornalismo Mariana Alvim, de 22 anos, desde muito cedo, pois seus pais sempre a ensinaram a não desperdiçar água, pasta de dente ou xampu. Sua mãe tem horta e Minhocasa, iniciativa que transforma resíduos orgânicos em adubo natural. Mas o hábito vem crescendo desde que começou a praticar yoga.

– Acho que a ligação com o corpo leva consequentemente a uma preocupação com a natureza, com a alimentação saudável, e tudo começa a caminhar junto. Uso muito a bicicleta, ando muito, e pretendo usar o transporte público para sempre. Quando morei na França, costumava usar um serviço chamado Covoiturage, de compartilhamento de caronas. E já usei por alguns meses o Mooncup, um absorvente interno feito de silicone dobrável que pode ser reutilizado a cada menstruação, mas não me adaptei muito.

Mariana é tão preocupada com as questões ambientais que fica aflita só de pensar no que ainda não faz para ser sustentável.

– Precisamos ter consciência  e cuidado com todo recurso usado no dia a dia. Isso faz você pensar na origem e no destino do material. Às vezes, chega a ser angustiante, porque usamos e produzimos ao extremo. Por exemplo, acabei de me mudar e fiquei impressionada com o número de caixas de papelão gerado. Além disso, descobri que este prédio não tem sistema de coleta seletiva e pretendo implementar isso assim que puder. Também me irrita pedir comida e ver a quantidade de caixa, de papelão e de plástico envolvido para levar aquele alimento até as casas – explica.

No entanto, a estudante conta que faz coisas básicas que já considera muito importantes, como evitar usar sacolas plásticas (está sempre com uma sacola dobrável), descer pelas escadas em vez de usar o elevador, comprar roupas quase sempre em brechós (seus preferidos são o Tenda Brechó, na Gávea, e o Petit Lilly, em Ipanema). Ela já organizou uma feira de troca de roupas chamada Camaleão. O bazar, realizado em 2011, contou com a parceria de mais duas amigas – Beatriz Nóbrega e Isadora Barros -, e propunha o desapego de roupas e acessórios que não lhes serviam mais, aproveitando peças que outras pessoas queriam descartar, disseminando a sustentabilidade através da moda.

A parceria certamente é um estímulo para praticar a sustentabilidade. Formada em Marketing, Laís Junqueira, de 24 anos, encontrou em seu pai uma companhia em potencial para ajudá-la a, de maneira sustentável, montar uma cestinha traseira para sua bicicleta. A ideia surgiu porque sua cesta frontal – daquelas tradicionais – é muito pequena e, como usa a bicicleta como transporte, precisa de um compartimento maior para colocar sua bolsa e suas luvas de boxe.

– Primeiro pensei em usar caixa de feira, mas meu pai encontrou umas ripas de madeira no prédio dele e a ideia evoluiu – conta Laís, explicando que o projeto consiste na construção da cesta com tampa e espaço para tranca.

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A cesta traseira da bike da Laís terá tampa e tranca / Fonte: Design Sponge

Quando dá frutos…

Gabriela Haviaras é atriz e Claudio Carvalho é formado em Logística e fará pós-graduação em Meio Ambiente. Essa preocupação com a sustentabilidade é percebida no dia a dia: o casal separa o lixo, não compra em excesso, trocam o carro pela bicicleta sempre que possível, não usam sacolas plásticas. Ambos sempre tiveram habilidades manuais e pinturas, colagens e recortes eram constantes trabalhos que faziam em suas casas. Depois que “juntaram as escovas de dentes”, como brinca Gabriela, decidiram usar caixotes de feira para construir os móveis no novo lar.

– Era para quebrar um galho, mas são os móveis que estão aqui (em casa) até hoje – conta Gabriela.

Gabriela e Claudio Carvalho_O Mercado
Gabriela Havieras e Claudio Carvalho / Fonte: Xepa Box

Mais tarde, quando os amigos iam visitá-los, elogiavam os produtos e queriam ter móveis feitos de caixas também. Assim nasceu a ideia de transformar o artesanato em negócio. A marca existe desde abril de 2012 e o nome foi dado porque os caixotes eram pegos no fim da feira – a famosa xepa. Hoje em dia as caixas são compradas juntos aos feirantes.

O consciente sustentável vai além: todo o material usado na fabricação das xepas é reciclado, desde retalhos de tecidos a folhas secas, jornais, revistas e gibis de sebos. Também são agregados pés, rodinhas e almofadas.

– Nossa preocupação com o meio ambiente é de dar mais consciência as pessoas, mostrando que há milhares de coisas que podem ser reutilizadas, transformadas em outros bens de consumo. Começamos a ver que já há uma consciência germinando, mas ela precisa ser maior, principalmente vindo das grandes empresas! – explica Gabriela.

Claudio vem dando à Xepa diretrizes para que ela se torne uma empresa de soluções sustentáveis e não seja apenas a marca de customização de 2012.

– O próximo passo é expandir a Xepa. Estamos pesquisando possíveis objetos a serem confeccionados com sacos plásticos e temos uma parceria com um artesão que faz mosaicos com papelão.

O processo criativo acontece de duas maneiras. Em caso de encomenda, o cliente manda suas ideias e referências (o máximo que puder), “mas é claro que haverá criação por cima”. A outra forma é quando eles mesmo fabricam peças novas testando tamanhos, cores e aplicações diversas.

– As Xepas acabam sendo exclusivas, pois as caixas não são iguais, elas tem características um pouco diferentes. Conseguimos repetir as estampas, as cores, os adereços, mas elas sempre vão ter algo de diferentes umas das outras. E as imagens podem ser escolhidas pelos clientes, que podem tanto mandar fotos pessoais como também escolher um ídolo ou um super herói.

São duas linhas de Xepa: as Xepas e as Xepinhas. Estas últimas são feitas com caixas de frutas e seu preço médio é de R$ 40. As maiores variam dependendo do projeto, pois podem ser sozinhas ou agregadas em forma de móveis, e aí os preços vão de R$ 180 a R$ 500.

xepas
Imagens cedidas por Xepa Box

Apesar de ainda não terem loja física, as Xepas podem ser encontradas na loja Mutações, no Rio,  e na Jardinaria, em Recife, ou no site da Xepa Box, Facebook ou  pelo e-mail xepabox@gmail.com.

Veja abaixo como é o processo de criação da Xepa Box!

Espero que tenham gostado do post!

Vamos preservar o mundo, porque ele é nosso.

Beijos,

Ligia

 

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Escrito por

Jornalista por profissão, vocação e paixão. ♡

Um comentário em “CONSUMO SUSTENTÁVEL

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