MÉDICOS SEM FRONTEIRAS

Há mais ou menos um mês minha mãe me contou que tinha se tornado parceira da Médicos Sem Fronteiras. Ela me contou com tanto orgulho que quis fazer um post aqui no blog para inspirar vocês.

Para quem não conhece, a MSF é uma organização internacional independente, isto é, não-governamental, criada por médicos e jornalistas em 1971, na França, e que hoje trabalha em 70 países. Composta por mais de 34 mil profissionais das mais diversas nacionalidades e áreas (administração, comunicação, logística, médica e outras), a organização desde então leva ajuda médica e humanitária aos povos mais necessitados e, em 1999, recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Com base nos princípios de independência, imparcialidade e neutralidade, a MSF atua em contextos que envolvem desastres naturais, conflitos armados, epidemias, desnutrição e falta de acesso à saúde. Por ser independente do governo, pelo menos 80% do financiamento da MSF é proveniente de doações de indivíduos e da iniciativa privada, que contribuem com um valor mensal à escolha.

Cerca de cem brasileiros trabalham nos projetos da MSF. Para trabalhar na organização é preciso preencher os requisitos básicos como formação superior, dois anos de experiência profissional, domínio de um segundo idioma (sendo ele inglês ou francês) e disponibilidade para trabalhar em outros países por longos períodos. Os profissionais recebem ajuda de custo para se manterem no país e remuneração pelo tempo trabalhado nos projetos. O salário, no entanto, não é a maior motivação de quem é membro da MSF, conforme explica Susana de Deus, diretora executiva da MSF no Brasil:

–  As pessoas que trabalham em MSF fazem isso porque querem levar ajuda humanitária a pessoas que sofrem em situações de conflitos, epidemias e outros. Um profissional que vai trabalhar com MSF pela primeira vez recebe entre 700 a 1.040 euros por mês. Além da remuneração muitas vezes não ser competitiva se comparada com o mercado de trabalho, a escolha por atuar em locais inóspitos, longe de casa e da família por longos períodos não é fácil, a pessoa tem mesmo que estar interessada em trabalhar com ajuda humanitária para fazer essa opção.

Equipe de MSF chega à Guadalupe, cidade de 12 mil habitantes localizada a 100 Km de Pisco e uma das mais gravemente atingidas por terremoto. Foto: François Dumont
Equipe de MSF chega à Guadalupe, cidade de 12 mil habitantes localizada a 100 Km de Pisco e uma das mais gravemente atingidas por terremoto.
Foto: François Dumont

Caso haja interesse de fazer parte da equipe, entre no site e responda a um pequeno questionário para descobrir se você se encaixa no perfil que eles procuram. Não ser recrutado, no entanto, não significa que você não possa tentar novamente:

– Temos muitos casos de profissionais que não foram recrutados da primeira vez que se candidataram porque não falavam fluentemente inglês ou francês, mas, logo que aprenderam o idioma necessário, envolveram-se novamente no processo e, finalmente, foram selecionados – explica a diretora.

A psicóloga Vanessa Monteiro Cardoso já trabalhou em diversos projetos da MSF.  O desejo de trabalhar surgiu aos 11 anos, enquanto assistia a um programa de televisão onde alguns profissionais falavam sobre um trabalho que iam fazer com a MSF em Angola para prestar assistência às vítimas da guerra civil.

– Fiquei muito impressionada de pessoas deixarem tudo para trás, suas famílias e trabalho, ainda que provisoriamente, com o objetivo de ir para uma região em guerra, em prol de pessoas que nem sabiam quem eram. Quis integrar esse grupo sem saber muito bem o que ia fazer. No entanto, a memória daquele instante só voltaria muitos anos depois, quando eu já estava formada em psicologia, já falava inglês fluentemente e já tinha também muitos anos de experiência clínica. O sofrimento humano sempre me tocou e entristeceu, mas também me inquietava e despertava em mim o desejo de agir – lembra.

Como parte da equipe da MSF, Vanessa já esteve na Cisjordânia por 6 meses, no Sudão do Sul, também 6 meses e na Líbia por um mês.

– Cada país foi um grande aprendizado. Ainda que você leia os documentos que a organização disponibiliza com dados não apenas do país, você ainda vai viver muito mais do que leu. Quanto mais eu participava das missões, quanto mais me era dada a oportunidade de estar envolvida num outro código de conduta, outra cultura, mais eu me interessava e me apaixonava por gente, mais aberta ao novo, curiosa, tolerante, flexível, desprendida e feliz ficava. E ficava menos preconceituosa também. Seu senso de justiça cresce na mesma medida. Até a água limpa que você pode beber tem mais valor.

Hoje, Vanessa faz parte da equipe de recrutamento da organização e afirma que, além dos pré-requisitos exigidos para o recrutamento, a pessoa que deseja trabalhar na organização precisa ter consciência de que é fundamental respeitar o modo de vida dos beneficiários e dos companheiros de trabalho, além de ser curiosa, flexível e disposta.

Susana explica que é feita uma pesquisa de campo antes de cada missão ser iniciada, para verificar quais povos têm mais necessidade:

– Quando nos deparamos com uma situação de crise humanitária, o primeiro passo para iniciar um projeto é enviar uma equipe pequena, em geral de duas ou três pessoas, para fazer um levantamento das condições de saúde da população em questão e da ajuda oferecida por outras instituições, organizações ou governos. Com base nesses dados, avaliamos se o trabalho de MSF é realmente necessário. Em caso positivo, as informações coletadas são utilizadas para traçar um plano de atuação, que inclui as atividades que serão realizadas, a equipe, os suprimentos médicos necessários etc. Em casos de emergências repentinas, como, por exemplo, um terremoto, em que as necessidades são urgentes e extremas, a própria equipe de avaliação já pode começar a oferecer cuidados iniciais à população mais afetada.

Uma enfermeira da MSF cuida de pessoas no centro de nutrição. Libéria, 1996. Foto: Roger Job
Uma enfermeira da MSF cuida de pessoas no centro de nutrição. Libéria, 1996.
Foto: Roger Job

Aproximadamente 5 milhões de pessoas no mundo inteiro contribuem com a organização. No Brasil, são cerca de 100 mil doadores. Como eu falei no início do post, minha mãe, a fotógrafa Leda Lopes, tornou-se doadora. As propagandas da MSF sempre a tocaram e despertaram nela a vontade de fazer parte daquilo, mas ficava com receio de não ser uma organização séria. Com o passar dos anos, foi confiando mais e mais, até pela credibilidade das pessoas que falavam sobre o trabalho realizado, como profissionais da saúde e pessoas da mídia. Colaborando com R$ 30 por mês, Leda consegue fazer com que duas crianças desnutridas com menos de cinco anos de idade sejam tratadas.

– Desde pequena gosto de ajudar as pessoas. Sempre tive essa vontade de ajudar aos mais necessitados e fazia isso doando roupas, brinquedos. Se cada um fizer um pouquinho, a ajuda é enorme.

Para se tornar um Doador Sem Fronteiras, basta se cadastrar no site ou pelos telefones (21) 2215-8688 ou 0800-021-1197.

Feliz Natal e um Ano Novo repleto de paz, alegria e realizações para todos vocês!

Beijos,

Ligia

* As entrevistas de Susana de Deus e Vanessa Cardoso foram enviadas por meio da assessoria da MSF.

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Escrito por

Jornalista por profissão, vocação e paixão. ♡

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