COLEÇÃO LUDWIG NO CCBB

Quem estiver pelo Rio de Janeiro até o dia 21 de julho vai poder apreciar a exposição Visões na coleção Ludwig, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). A mostra abre as comemorações dos 25 anos do CCBB, trazendo 56 obras da coleção de Peter Ludwig (1925-1996), uma das maiores coleções particulares de artes visuais do mundo – sendo a mais importante da Europa. As obras expostas pertencem ao Museu Ludwig do Museu Estatal Russo de São Petersburgo, fundado por Peter e sua mulher, Irene, em 1994.

Com curadoria de Evgenia Petrova e Joseph Kiblintsky e co-curadoria de Ania Rodríguez, a exposição reúne obras de diferentes períodos estéticos, feitas por artistas consagrados como Picasso, Andy Warhol, Jean-Michel Basquiat, Roy Lichtenstein e Gerard Richter. O acervo completo do colecionador tem em torno de 60 mil obras, distribuídas em 14 instituições e Museus Ludwig em diversos países como Alemanha, Suíça, Hungria, Rússia, Áustria e China. O colecionador tinha como missão promover a cultura através deste intercâmbio de obras de arte, melhorando o relacionamento entre as pessoas do mundo todo.

Em entrevista por e-mail ao Paz, amor e lápis de cor, a co-curadora Ania Rodrígues explicou que a seleção das obras da exposição foi feita a partir do próprio recorte que Ludwig fez como doação para fundar o Museu Ludwig no Museu Russo de São Petersburgo.

– Ele queria que essa doação fosse um reflexo do mais importante de sua coleção, incluindo os núcleos mais relevantes do seu exercício enquanto colecionador da arte contemporânea.

Sobre a disposição das obras, Ania conta que os visitantes poderão mapear as viagens que o colecionador fazia por várias partes do mundo em busca de obras de arte, além de refletir sobre os contextos estéticos que marcaram suas épocas.

– Ludwig viajou pelo mundo em busca de exemplares que traduzissem suas épocas dentro da história da arte. Nesse sentido, sua coleção tinha um intuito maior que reunir obras de estilos ou movimentos específicos.

Sobre o colecionador

Peter Ludwig nasceu em Coblença, na Alemanha, em 1925 e, em 1945 ingressou na faculdade de Direito da Universidade de Bonn. Em 46, começou a estudar História da Arte, Arqueologia, Pré-História e Filosofia na Universidade de Mainz, onde conheceu Irene, filha de um grande fabricante de chocolates, e casou-se com ela em 51. Seu interesse por arte e cultura vem de casa, e refletiu-se em sua tese de doutorado, intitulada “A imagem do homem como uma expressão de gerações relacionadas com o padrão e estilo de vida de Picasso”. Em 57, o casal já era membro de vários conselhos de museus e comitês.

Grande punho de ferro, Alemanha / Big iron fist, Germany (Anselm Kiefer, 1979)
Grande punho de ferro, Alemanha / Big iron fist, Germany (Anselm Kiefer, 1979)

Em 1969, tornou-se presidente da fábrica de chocolate Monheim Schokolade – que, em 1986, passou a se chamar Ludwig Schokolade -, mas era a arte o que considerava como moeda de troca de culturas, conforme escreveu Frank Whitford (1941-2014) no obituário de Ludwig para The Independent, em julho de 1996.

Após a morte do colecionador, Irene fundou a Fundação Irene e Peter Ludwig, com o objetivo de continuar com as atividades de Peter, através da aquisição e administração de objetos de arte e organização de exposições, além de facilitar o diálogo entre as diversas instituições e museus que abrigam a coleção Ludwig.

Cabeças Grandes / Big Heads (Pablo Picasso, 1969)
Cabeças Grandes / Big Heads (Pablo Picasso, 1969)

– Evgenia Petrova e Joseph Kiblitsky , curadores da exposição, conheceram Irene e Peter Ludwig. Eles contam que os Ludwig eram apaixonados pela arte e que o intuito sempre foi valorizar a produção contemporânea, apostando não apenas nos grandes nomes consagrados pela história da arte. Ao mesmo tempo, eles se empenhavam em criar pontes culturais entre países através da arte. Desta forma, atentos à produção contemporânea, eles visualizaram o potencial de movimentos artísticos que na época não eram considerados importantes, mas hoje são – lembra Ania.

Sobre a importância de Ludwig para a arte, a co-curadora ressalta que ele foi um colecionador que interveio na produção cultural na medida em que foi pioneiro e manteve sempre um olhar atento à produção contemporânea.

– Peter Ludwig foi o primeiro colecionador alemão a visualizar o potencial da pop art e ficou famoso por comprar trabalhos de artistas como Andy Warhol, Roy Lichtenstein, Jasper Johns ou Jean-Michel Basquiat, que atualmente alcançam valores expressivos por conta da sua relevância artística.

Serviço:

“Visões na coleção Ludwig”

Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB)

Rua Primeiro de Março, 66 – Centro, RJ

Até 21/07, de quarta a segunda-feira, de 9h às 21h.

Entrada franca.
Beijos,
Ligia
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Escrito por

Jornalista por profissão, vocação e paixão. ♡

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