GROWP: interdependência criativa

Imagine a criatividade, em suas diversas variações, compilada numa coisa só chamada Growp. A união das palavras grow e group, respectivamente crescer e grupo, em inglês, transformou-se num conjunto de “interdependência criativa”, composto por 24 criativos, entre artistas, estúdios e marcas de moda. A ideia da Growp é difícil de explicar até mesmo para os sócios-fundadores Rafael Muniz, de 22 anos, “quase designer”, Guilherme Ribeiro, 23, “freelancer e programador”, e Ivo Nunes, 22, “dono da Bubas, movido pelo lema ‘a razão é o vigor e a emoção nos mantêm vivos'”.
Da esquerda para a direita: Guilherme, Rafael e Ivo. Por Vitor "Bossa" Vieira
Da esquerda para a direita: Ivo, Rafael e Guilherme. Por Vitor “Bossa” Vieira
Se fosse para definir em uma palavra, Growp significaria interdependência. Ricardo Guimarães, pioneiro de branding no Brasil, em uma palestra na TEDxRio, fez a seguinte analogia: quando nascemos, somos dependentes, pois precisamos de nossos pais para tudo o que vamos fazer; quando ficamos adolescentes, pensamos que somos independentes e que podemos fazer tudo sozinhos; e, finalmente, quando atingimos nossa maturidade, atingimos nossa interdependência, que é quando percebemos que as pessoas ao nosso redor podem nos ajudar e que nós podemos ajudá-las de alguma forma. Daí nasceu o conceito da Growp, um ponto de combustão para o crescimento de criativos. Funciona mais ou menos como um liga-pontos, agregando coletivos e pessoas, com a proposta de baratear custos e trocar ideias. Vocês vão entender.
Marcamos nosso bate-papo em um café no Leblon, onde Rafael pôde me explicar um pouco melhor como funciona o grupo. Tudo começou quando os três, frustrados com a vida acadêmica que levavam, resolveram se unir e fazer um curso de empreendedorismo criativo na Perestroika, uma escola de atividades criativas, que hoje funciona no Complex Esquina 111, em Ipanema.
– Quando a gente chegou lá foi um choque. Os cursos são mais direcionados e a forma como eles abordavam o assunto e passavam para os alunos foi muito novo e mexeu muito com a gente – lembra Rafael.
No fim do curso, eles teriam que apresentar um projeto criativo e decidiram criar algo juntos. Foi o Ivo quem levantou a ideia da Growp que, à época, era algo bem embrionário. A ideia surgiu porque, como dono da Bubas, ele estava acostumado a participar de algumas feiras, e sabia que se investia um dinheiro alto para estar ali mais todo o custo de produção. Ele pensou então que se juntassem duas ou três marcas, poderia se fazer um grande evento, com um público direcionado.
– Quando ele falou isso para a gente, nós falamos “é isso”! Toda a dificuldade que essa galera passa para crescer, para se alavancar, para estar no lugar certo, para trocar com o outro que já passou por um problema, vai ser resolvido. E aí a gente começou a desenvolver a Growp.
O projeto apresentado na Perestroika era de um e-commerce com todas as marcas participantes, mas eles começaram a perceber que a Growp era muito mais do que isso.

– Depois da Perestroika, a gente começou a ter acesso a um mundo que a gente não tinha antes, de palestras, de pessoas lá fora fazendo e acontecendo. Depois que acabou o curso, a gente fez consultorias com o Jean [Philippe Rosier, sócio da Perestroika do Rio], o que foi muito produtivo. Com isso, a gente começou a desenvolver a ideia da Growp chamando os criativos mais próximos a nós, ligando para as pessoas, explicando o que era e vendo quem abraçava a ideia.Quando sentiram ter um pessoal bom, resolveram colocá-los em contato real, para ver no que ia dar.

– Queríamos sentir a vibe da galera para ver se tudo o que a gente falava de troca, de interdependência, de um completar o outro, ia funcionar. Porque até então era tudo muito lindo e mágico na nossa cabeça – lembra.
O encontro, realizado no Templo Coworking, serviu para explicar o que era a Growp naquele momento, falar no que eles acreditavam e porquê estavam fazendo aquilo, e abrir espaço para cada criativo se apresentar, explicando o que fazia, como fazia e porquê fazia.
– Quando cada um se apresentou, tudo fez sentido, todo mundo tinha uma razão: realmente tinha muita gente fazendo muita coisa boa em um cenário desconectado. E acabou que o lugar que a gente tinha reservado até onze da noite ficou rolando até quatro da manhã.
O encontro serviu para confirmar que a Growp tinha força, “mas é óbvio que tem um milhão de coisas para arredondar”, e os encontros começaram a ser feitos com mais frequência, “sem nenhum motivo especial, só para as pessoas falarem como andavam os projetos e ouvir as demandas”. No início, surgiu muito a expectativa por uma exposição com venda, pois os Growpistas, como são chamados, queriam se mostrar para o público. Os sócios entraram em contato com Jean para fazer uma parceria, e ele disse: “a casa é de vocês, vamos arrumar uma data”.
O evento ocorreu no dia 21 de dezembro de 2013, também sendo o primeiro do Complex Esquina 111, e todos os integrantes participaram. Depois, vieram outros dois: mais um em Ipanema e outro no Complex Skatepark, de Porto Alegre, para onde viajaram mês passado (maio de 2014).
– Por enquanto, os eventos são a forma mais simples de definir a Growp. A gente enxerga a Growp como uma coisa muito nova, mas é até bom não conseguir definir tanto, porque isso permite que a gente navegue. Mas a gente não quer fazer só evento. Porque eu vejo a Growp acontecendo, de verdade, nas reuniões, quando está todo mundo sentado, um metendo o dedo na ideia do outro, criticando, lançando ideias, querendo produzir junto. Ali os caras estão crescendo, fazendo parcerias, saindo do comodismo.
Nos projetos futuros da Growp estão a criação de um e-commerce e de um espaço físico para produção.
– O e-commerce é uma necessidade da galera, porque o pessoal vende em um monte de lugar, mas não tem uma relação real com quem está vendendo. E alguns dos criativos precisam de espaço para produzir. O Ivo, por exemplo, me assusta pela quantidade de coisa que ele produz para a Bubas, com o acabamento que ele dá, fazendo tudo aquilo sozinho na varanda do apartamento dele, é muito louco.
O maquinário seria útil para esses criativos e o aluguel do espaço também poderia servir como fonte de renda para a Growp. O retorno financeiro para Rafael, Guilherme e Ivo, atualmente, vem dos eventos realizados, onde são cobrados R$ 90 de quem vai participar mais 10% das vendas.
Hoje, quem quiser conhecer mais sobre a Growp, pode entrar no site e no blog, que foi lançado semana passada, “sem muito alarde”, e seguir no Instagram (@growpme). E quem quiser mandar um e-mail, não estranhe se vir “lasanha@growp.me”, eles queriam fugir do lugar comum, estavam sem ideia e com fome – e o Ivo resolveu comer uma lasanha de microondas.
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Escrito por

Jornalista por profissão, vocação e paixão. ♡

3 comentários em “GROWP: interdependência criativa

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