CALÇADA DA FAMA DE IPANEMA

Mais de cem nomes, entre Elis Regina, Oscar Niemeyer, Chico Buarque, Elizeth Cardoso, Vinicius de Moraes, Ruy Castro, Daniel Jobim e Zico, compõe a Calçada da Fama de Ipanema, que foi inaugurada, 45 anos atrás, pelas mãos de Maria Bethânia. Este domingo (24) foi o dia de a artista plástica Angela D’Alincourt e o músico e instrumentista Fernando Carvalho deixarem suas marcas na calçada do bairro onde nasceram e vivem. O evento ocorreu na Toca do Vinicius, localizada na antiga Rua Montenegro e atual Rua Vinicius de Moraes, em Ipanema.

A Calçada nasceu com o objetivo de deixar as mãos de pessoas célebres registradas para a posteridade. De acordo com Carlos Alberto Afonso, fundador da Toca do Vinicius, a Calçada da Fama é apenas uma, das inúmeras maneiras de se monumentalizar alguém.

– O papel que todo monumento tem é exatamente o de lembrar alguma coisa a alguém. Sejam estátuas, livros, discos, os monumentos tem a missão de lembrar alguma coisa que deve ser seguida ou alguma coisa que não deve ser repetida. No crime da Candelária, fez-se um monumento para lembrar à sociedade alguma coisa que não deve acontecer. Mas a estátua do Carlos Drummond de Andrade, sentado ali em Copacabana, tem o objetivo de lembrar à sociedade um exemplo que deve ser seguido e conhecido – exemplifica.

Portanto, a Calçada da Fama de Ipanema é algo que vai sendo construído ao longo do tempo, e o critério utilizado para quem vai ser homenageado é “a representatividade de alguma coisa que precisa ser conhecida pelas próximas gerações”.

– Eu diria até que é um monumento de autoconstrução, na medida em que não é um escultor que produz essas peças, mas a própria pessoa que está sendo lembrada é quem grava suas mãos, escreve seu nome e a data. Então a Calçada da Fama não apenas quer ser, ela é um monumento representativo da cultura brasileira, em diversos das suas formas de produção: o esporte, a literatura, a música, a arquitetura e assim sucessivamente.

E foi com a música que Fernando Carvalho traduziu sua história. O CD intitulado Rua Montenegro é uma síntese de sua vida até aquele momento, e foi gravado de forma despretensiosa, para dar para os amigos.

– Só que existe o Carlos Alberto, que tem a Toca do Vinicius, que é uma pessoa única. Ele tem que ser tombado, porque mantém essa loja aqui, preservando a Bossa Nova, a MPB em todos os seus segmentos. Você vê aqui artistas de estilos diversos, e ele me prestigia inclusive como líder do Terra Molhada, que é uma banda que toca Beatles. Eu acho surpreendente isso, porque todo mundo associa esta casa à Bossa Nova, mas ele não é fechado a outras tendências. Ele gentilmente botou meu disco aqui nesta vitrine e já estamos há um ano nessa amizade.

Fernando conta que ficou emocionado com o convite para colocar as mãos na Calçada da Fama.

–  O meu jeito de retribuir o que ele faz por mim é tocando nesta calçada até minha morte, basta ele estalar os dedos que eu venho correndo.  É uma emoção muito grande porque eu acho que minha música é uma gota no oceano em relação à história em Ipanema. Eu me sinto apenas um representante, minha música é um detalhe. Não sei se eu mereço minha mão na Calçada, ao lado das pessoas que já botaram, mas já que ele convidou, não tinha como recusar.

Fernando tem nove irmãos e a outra pessoa homenageada da noite foi sua cunhada, Angela, também nascida e criada na eterna Montenegro. O convite para ela colocar as mãos na Calçada surgiu pelo Facebook. Pintando desde os 25 anos e no mercado das artes desde os 30, Angela se diz apaixonada pela obra de Claude Monet.

– Eu pinto pessoas, paisagem também, mas meu forte é figura. E sempre fui impressionista, mas agora estou querendo ver se as minhas pinceladas ficam mais largadas, mais do que Monet.

Em 2008, Angela lançou o livro Pinceladas e poesias, com pinturas suas e poemas de sua filha Daniela. O livro chamou a atenção de Carlos Alberto, que colocou para vender na Toca do Vinicius e, mais tarde, convidou a artista para colocar as mãos na Calçada da Fama.

– Ele gostou das minhas pinturas e me convidou. É de arrepiar, eu fiquei morrendo de vergonha. É uma honra que não tem como descrever, eu acho até que eu nem mereço – disse, modesta.

O evento que começou às 17h foi encerrado com um show de Leticia e Fernando Carvalho, que cantaram num clima informal, embalados pelo coro da plateia.

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Escrito por

Jornalista por profissão, vocação e paixão. ♡

2 comentários em “CALÇADA DA FAMA DE IPANEMA

  1. Demais esse post! Homenagem linda à minha família! Muito bom ter você com a gente e compartilhando essa sua resenha de tudo que se passou ontem! Foi muito especial e essas pessoas mereciam sim tal homenagem, por mais modestos que sejam!!!

  2. Minha coisa preferida numa calçada da fama é poder colocar minha mão na “pegada de mão” de um artista que admiro e no qual me espelho. É como se ele me desse a mão, e comparando nossos diferentes tamanhos eu possa avaliar: “ok, um dia eu chego lá”. :)
    Beijo grande, Ligia!

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