3×4: GIULIANO LAFFAYETTE

Hoje é inaugurada uma nova categoria aqui no Paz, amor e lápis de cor: a 3×4.

O primeiro entrevistado desta categoria é Giuliano Laffayette, dono de uma cabeça cheia de ideias, cheia de sonhos e com muitos projetos, movido à paixão. Sabe aquela pessoa que não consegue ficar parada? Ele é assim. Giuliano tem 23 anos, é artista por natureza. Faz parte do coletivo criativo Growp (lembre aqui), estuda design, é ator, pintor e um dos fundadores da Sociedade Invisível, um grupo de atores independente que será apresentado oficialmente e em primeira mão ao longo deste post.

Gil, como é chamado carinhosamente pelos amigos, passou a infância na casa dos avós maternos. Nossa conversa foi em seu ateliê, onde se sente mais à vontade, no segundo andar do duplex onde mora. O ateliê é resultado de uma reforma que fez no quarto que era de seu avô Francisco.

– Eu sempre tive o desejo de ficar aqui e ter um estúdio, porque foi o lugar que fiquei minha infância inteira desenhando. Até porque minha mãe e minha avó não usam, e eu sempre tive muito apego a este lugar. Meu avô ficaria muito feliz, querendo que eu aproveitasse o espaço que curtia com ele.

A reforma foi sendo feita aos poucos e com pouco dinheiro envolvido, resgatando móveis antigos e comprando outros que estavam em promoção. Gil encarregou-se de ele mesmo fazer algumas coisas, como a pintura da varanda – “por isso ficou rústica”, brinca – e a mesa feita de caixotes de feira. A decoração mistura o contemporâneo com o antigo, numa intenção de deixar o lugar atemporal e, também por isso, não tem televisão ou relógio ali.

Foto: Renato Galvão
Foto: Renato Galvão

Apesar de não saber o porquê, Giuliano diz que a arte sempre esteve nele. Na infância, os passatempos eram brincar na rua, de boneco e desenhar. Para ele, brincar sozinho fez com que inventasse mundos muito próprios, ajudando-o a desenvolver seu lado artístico.

– Desde que eu lembro de mim, eu gosto de desenhar. No colégio, meus desenhos sempre ganhavam nota dez. Acho que morar com meus avós influenciou também, pelo fato de eles não terem o mesmo gás, e eu também nunca ter gostado de pedir. Eu sei que moro olhando para o Cristo, mas, tirando essa casa, nunca fui um moleque que teve muitas condições, nunca viajei para fora ou coisas assim. Então eu nunca quis pedir um videogame, por exemplo.

O primeiro contato com o teatro se deu por volta dos oito anos de idade, quando fez por seis meses um curso no colégio em que estudava. Mais tarde, aos 15, um impulso artístico o encaminhou de volta para o palco – depois de assistir a uma peça e imaginar que poderia fazer o que o ator fazia de uma maneira diferente – e, em 2008, quando cursava o terceiro ano do ensino médio, Giuliano ganhou o primeiro prêmio de sua carreira, na categoria Melhor Ator no Festival Intercolegial de Teatro, pela interpretação do personagem Brilhantina na peça O sol feriu a terra e a chaga se alastrou, de Vital Santos.

Giuliano vive Brilhantina em "O sol feriu a Terra e a chaga se alastrou" / Divulgação
Giuliano vive Brilhantina em “O sol feriu a terra e a chaga se alastrou” / Divulgação

Com muitas dúvidas e esperanças, a escolha de que faculdade fazer foi difícil. Como gostava de atuar e desenhar, prestou vestibular para Artes Cênicas e Design, mas acabou escolhendo a segunda opção, influenciado por sua mãe, que achava que “daria mais futuro”. Acabou não gostando do curso – mas vai terminá-lo! – e, aos 18 anos, decidiu se dedicar intensamente à carreira de ator, entrando em cursos de interpretação e participando de workshops.

– É uma sensação muito diferente quando eu estou atuando. Eu queria ser mais racional para explicar isso, mas não consigo. É uma coisa que move de uma maneira muito emocional, como se eu realmente vivesse aquela situação e brincasse. Na vida a gente não pode brincar em certas situações. No teatro eu vivo e posso. Brincar nem sempre no sentido de ser algo alegre, mas de manipular.

Neste meio tempo, apareceu a oportunidade de fazer sua primeira participação na Globo, em Malhação (2012), e, mais tarde, participou do quadro Vai fazer o quê?, do Fantástico (2013 e 2014).

– A experiência no Fantástico foi muito boa, porque é um estilo muito diferente de gravação, como se você estivesse em um teatro de arena. Para você interagir com as pessoas, precisa estar muito certo do seu objetivo como ator, porque senão as pessoas não vão acreditar naquela verdade.

Giuliano conta que precisa ter sempre uma plataforma onde possa colocar suas ideias, como o teatro e a pintura, e hoje consegue admitir que atuar é fundamental para sua vida.

– Não tem cabimento não fazer o que a gente gosta. Eu não consigo fazer as coisas sem amar, é algo meu. Não tem porque a gente perder tempo fazendo coisas que não vão agregar em nada. Aprendi que o ator tem que ser um ser inteligente, pensante e focado. E eu estou me esforçando para isso. Porque apesar de eu sempre ter sido sensível à arte, estou lidando com pessoas muito boas. Estou me interessando muito pelos movimentos artísticos, acho que isso agrega aos pensamentos sobre a vida. Os livros e as informações te dão consciência.

Além da faculdade e dos cursos de teatro, Giuliano atualmente faz parte da Sociedade Invisível, grupo fundado por ele e mais três amigos, Anthony Garcia, Anthony Sayeg e Victor Vergetti.

– A gente criou este grupo há uns dois meses porque nós não queremos mais esperar ligações milagrosas, queremos ser visíveis por conta do nosso trabalho. A gente começou se encontrando às segundas-feiras com a ideia de filmar um texto para a gente se mostrar. A ideia foi evoluindo e estamos com uma peça e uma série, intituladas Colônia, quase finalizadas.

O mais recente trabalho da Sociedade Invisível foi um comercial gravado para o concurso mundial Crash the Superbowl, do Doritos, intitulado We must all celebrate! Quem gostar e quiser votar, basta clicar nas estrelas que aparecem embaixo do vídeo. Boa sorte aos envolvidos!

XXX, XXX, Giuliano Laffayette e Anthony Garcia: Sociedade Invisível
Victor Vergetti, Anthony Sayeg, Giuliano Laffayette e Anthony Garcia: Sociedade Invisível

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Escrito por

Jornalista por profissão, vocação e paixão. ♡

4 comentários em “3×4: GIULIANO LAFFAYETTE

  1. Que demais esse post! Gil ta um poeta… Surpreendeu… Não sei quem teve mais talento no texto! Não sei se foi você, Ligia, escrevendo lindamente ou se foi o Gil, tao profundo e cada vez mais sensivel!

    Parabéns aos 2 pela entrevista!

    Adorei saber do projeto! Não estava sabendo! Muito legal estarem sempre filmando alguma coisa, vao fazer sucesso!!!

    Ateliet está cada vez mais lindo!

  2. Oi Gil e Betinha, obrigado por ter me enviado a reportagem, embora eu não o conheça pessoalmente sei aqora que é alguem da familia, que tem muito talendo e faz muito sucesso “teve a quem sair” fiquei muito feliz em saber da sua existência e cultura, parabéns

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