LANÇAMENTO: FERNANDA TORRES E GREGORIO DUVIVIER

Nesta sexta-feira (28), estiveram na Livraria da Travessa Gregorio Duvivier e Fernanda Torres lançando os livros Put some farofa (R$ 29,90; 208 páginas; de Duvivier) e Sete Anos (R$ 34,90; 192 páginas; de Fernanda), ambos da Companhia das Letras. A noite de autógrafos começou por volta das 19h e depois os autores seguiram para um bate-papo animado com o público.

Sete anos traz uma seleção de 40 crônicas escritas por Fernanda para o jornal Folha de São Paulo e as revistas Piauí e Veja Rio. O livro traz ainda Despedida, texto inédito que fala da morte de seu pai. Fernanda divide este doloroso momento da sua vida com o público e, em entrevista ao Paz, amor e lápis de cor, afirma que tragédia e comédia são gêneros que andam lado a lado:

– Eu não separo muito tragédia de comédia, não. Acho que uma coisa não existe sem a outra. A própria Fátima que eu faço [em Tapas e Beijos, série da TV Globo] é um personagem trágico. É uma mulher que tem uma amiga, um emprego e um homem, que nem é dela. Eu não conheço coisa mais triste do que isso.

De acordo com Fernanda, também em sintonia caminham as carreiras de atriz e escritora, pois “uma alimenta a outra”.

– Tudo sou eu. O processo todo de atriz, de entrar num personagem, de se acostumar a raciocinar como se fosse outra pessoa ajuda na hora de escrever. E escrever também te descansa um pouco da profissão de atriz, que é todo o tempo em cima do seu corpo, do seu rosto. Tirar férias de você também é bom. Então, uma carreira alimenta a outra. Eu fui escrever porque, de certa maneira, eu queria fazer outras coisas. E acho que se eu deixasse de ser atriz perderia imensamente da minha vida.

A atriz Fernanda Montenegro, mãe de Fernanda Torres, foi prestigiar os autores na noite do lançamento, e recebeu da filha uma dedicatória com a frase “A vida é dura, galera, e nela tenho remado muito”.

Fernanda Montenegro / Foto: Mayra Nolasco
Fernanda Montenegro / Foto: Mayra Nolasco

– Eu não estou aqui porque ela é minha filha, eu estou aqui porque ela é uma mulher de grandes qualidades, de grande capacidade criadora. O que ela quiser fazer na vida, acho que ela fará bem. Então, se quiser amanhã ser escultora, vai ser. Estou aqui porque o livro dela é bom, porque a maioria das crônicas eu já li e, enfim, eu acho que ela tem capacidade para fazer a vida literária que ela está fazendo – disse Fernanda.

Quem também foi ao evento prestigiar os amigos foi a atriz Clarice Falcão, que falou sobre a admiração que nutre por Gregorio e Fernanda.

– Eu gosto muito de artistas que são completos, que fazem muitas coisas. Eu admiro muito os dois por causa disso e porque eles são artistas onde você vê a Fernanda atriz na Fernanda autora e vice-versa, e a mesma coisa com o Gregorio. Você vê o tipo de humor que eles têm, acho que eles são muito verdadeiros em tudo o que fazem. Eu gosto dos dois, fico muito feliz que eles sejam completos. Acho que a gente sempre acaba se imprimindo quando a gente faz um trabalho em que a gente acredita, a gente sempre termina tendo muito da gente. Acho que quanto mais de si você coloca, mais os outros se identificam, estranhamente – opinou Clarice, que além de atuar também canta.

Clarice Falcão / Foto: Mayra Nolasco
Clarice Falcão / Foto: Mayra Nolasco

Para Gregorio, as carreiras de autor e ator se encontram porque ambas são artísticas e expressivas.

– São carreiras onde você diz algo. O ator, na minha opinião, é sempre um autor. Quando você está ali com um texto, mesmo que você não o tenha escrito, é como se você estivesse escrevendo ele, porque você escolheu ele, porque você quer dizer algo através dele. E o autor também. Eu acho que quando eu escrevo um texto, eu me imagino falando ele, então é um trabalho de ator. Acho que no fundo é tudo muito parecido.

A ideia de Put some farofa é trazer exatamente este Gregorio Duvivier todo ao mesmo tempo, trazendo alguns textos inéditos, além de uma coletânea de crônicas escritas por ele desde 2013, quando estreou como colunista do caderno Ilustrada, da Folha de São Paulo, e algumas esquetes escritas para o canal de humor Porta dos Fundos, grupo do qual é um dos fundadores. O título é um trecho da crônica Pardon anything, publicada em julho de 2014, época em que o Brasil sediava a Copa do Mundo.

Em recente artigo, Ator e autor, Duvivier afirmou que o ator é aquele que pode esquecer quem verdadeiramente é pelo menos por alguns instantes. Sendo cronista, a sensação é exatamente a contrária, porque ao escrever crônicas você expressa sua opinião e, naturalmente, recebe críticas que, positivas ou negativas, são direcionadas a você – e não a um personagem. Se expor através das palavras torna-se, portanto, mais desconfortável do que despir-se num set de filmagem.

– Prefiro me despir num set. Eu acho que cada um tem um prazer diferente. O ator tem o barato da companhia dos outros atores, que é uma delícia sempre: os ensaios, o palco, o contato com a plateia. Nenhuma outra profissão dá esse calor. Se despir, neste sentido, com a plateia, em troca de emoções. Agora, em compensação, tem o barato do autor, que é não depender de ninguém, você escreve, publica, faz tudo de casa, sozinho, acorda a hora que você quiser, vai dormir a hora que você quiser, e isso também é uma delícia. Então eu estou tentando curtir o melhor dos dois mundos.

signature2

Anúncios

Escrito por

Jornalista por profissão, vocação e paixão. ♡

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s