BOA SORTE

Está em cartaz nos cinemas o filme Boa Sorte, de Carolina Jabor. Estrelado por Deborah Secco e João Pedro Zappa, o longa é uma adaptação do conto Frontal com Fanta, de Jorge Furtado, da coletânea Tarja Preta (Ed. Objetiva, 2005), e marca a estreia da cineasta como diretora de um filme de ficção. Além de dirigir, Carolina também é produtora do filme e Deborah é coprodutora. Para escrever o roteiro, ninguém melhor do que o próprio Jorge Furtado, em parceria com seu filho, Pedro, que foi a campo pesquisar sobre o assunto, visitando algumas clínicas de reabilitação – algumas cenas são bem fiéis às que presenciou.

Boa Sorte conta a história de amor vivida por João (vivido por Zappa) e Judite (personagem de Deborah), marcante para os dois personagens como um rito de passagem. Ao passo que João entra na clínica como um jovem introspectivo e imaturo, e sai um rapaz amadurecido depois da experiência com aquela mulher, Judite vive a transição da vida para a morte.

Em entrevista exclusiva ao Paz, amor e lápis de cor, João Pedro Zappa conta que, assim como seu personagem saiu mais maduro da clínica, ele também saiu mais maduro do set de filmagem:

– [Amadureci] Em todos os sentidos. Eu acho que eu aprendi muito profissionalmente. Eu conversei com todo mundo ao meu redor, todos do elenco. Eu tive esse privilégio de estar muito bem acompanhado, de poder fazer parte de um grupo de pessoas muito incrível no que faz. E amadureci como pessoa também. Eu senti que, depois do Boa Sorte, eu ganhei um pouco de confiança, sabendo que eu posso pegar trabalhos nesse nível e conseguir realizar da melhor maneira possível. O filme é fundamental em diversos aspectos meus de crescimento, desde fazer o filme até passar pelos lançamentos, ter um retorno muito legal do público.

João é um jovem de 17 anos, inexperiente e tímido, sem amigos, que sofre com a falta de atenção e de afeto dos pais. Para justificar sua “invisibilidade” no mundo, toma o remédio tranquilizante da mãe e o mistura com refrigerante, acreditando ser uma fórmula mágica que lhe dá o superpoder de ser realmente invisível. É uma desculpa positiva para lidar com o fato de não ser enxergado por ninguém. Os pais descobrem que ele está tomando os comprimidos e decidem interná-lo em uma clínica de reabilitação, onde conhece Judite, uma mulher de 34 anos que já consumiu todos os tipos de drogas e contraiu o vírus da Aids. Ela sabe que seu corpo não vai resistir por muito mais tempo por estar muito debilitado.

As filmagens foram feitas entre janeiro e fevereiro de 2013, em apenas quatro semanas. Para a preparação dos atores, o tempo foi maior: duas semanas com a diretora e o ensaiador Chico Accioly, que ajudou no texto e na interpretação; e três semanas com Dani Visco, que ficou responsável pela preparação corporal.

Zappa conta que João representa, para ele, um “despertar de consciência”, um despertar pra vida. Para se preparar para o papel, assistiu a filmes sobre clínicas. No entanto, ressalta que a clínica de reabilitação é apenas um pano de fundo do filme, que conta a história de um encontro amoroso entre duas pessoas completamente diferentes.

– É um encontro muito improvável que só poderia acontecer naquele lugar, o único possível de eles terem se encontrado. Eu, na verdade, procurei mais tentar entender e mergulhar no universo interior, que é o João e esse mundo que ele deixava contido dentro dele. Quando ele se sente enxergado, começa a se permitir mostrar um pouco desse mundo para o mundo real.

Também estão no filme nomes como Cássia Kis Magro, representando a médica psiquiatra Lorena; Fernanda Montenegro, interpretando o papel de Célia, avó de Judite; Gisele Fróes e Felipe Camargo representando os pais de João.

Fernanda Montenegro contou ao Paz, amor e lápis de cor o que achou de fazer o filme:

– Eu estou muito feliz de ter feito aquele pequeno papel importante. A avó vai lá e leva maconha para a neta!

Foto: Felipe O'Neill
Foto: Felipe O’Neill

Em determinada cena, Judite pergunta para João qual dos vários tipos de amor ele gostaria de ter. Zappa acredita que o amor vivido pelos personagens pode ser definido como incondicional:

– Eu acho que eles tiveram um amor que ultrapassa qualquer tipo de barreiras. Não é nem que ele ultrapasse, é que ele não considera qualquer tipo de barreira. É um amor incondicional, é um amor que, por exemplo, um cachorro tem pelo dono. O João é representado pelo cachorro. É um amor incondicional, que não importa o que você faça, o cachorro te escolheu como dono. Se você criou ele com amor, então ele vai sempre te amar. Essa é uma metáfora bonita da relação do João com a Judite. É um amor fiel, no sentido não do adultério, mas da fidelidade canina mesmo.

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Escrito por

Jornalista por profissão, vocação e paixão. ♡

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