OPINIÃO: SOBRE O TEXTO DE SILVIA PILZ

Para entender, leia antes: O plano cobre.

Logo abaixo da foto do perfil em sua página, vem escrito: “Silvia Pilz diz o que pensa”, então tentar defendê-la usando como escudo o personagem Caco Antibes, interpretado por Miguel Falabella em Sai de Baixo, me soa pior que o próprio texto. Caco era um ex-rico que perdeu tudo e foi morar no Arouche e que tinha horror a pobre e não gostava de trabalhar. Tão fictício quanto Nazaré Tedesco, personagem de Renata Sorrah na novela Senhora do Destino, que empurrava seus desafetos escada abaixo. Não é desculpa. Quando acontece na vida real é assustador.

Me surpreende uma jornalista aparentemente não ter a menor noção de como é o sistema de saúde pública no Brasil, que obriga o paciente a enfrentar enormes filas, ir e voltar mil vezes até que tenha um médico que possa atendê-lo, até que consiga marcar um exame, até que a máquina de raio-x esteja funcionando. Não, não é pelo piso de porcelanato ou pelo lanchinho depois de tirar sangue. Mesmo com plano de saúde, marcar exame é difícil – consulta então, nem se fala – e ser atendido com a mesma atenção que um paciente particular tornou-se um privilégio. Meu muito obrigada aos médicos que são assim: profissionais éticos e que exercem a profissão cumprindo o juramento que fizeram ao se formar, colocando como primeira preocupação a saúde do doente.

Em entrevista dada ao site da BBC após a publicação do texto, Silvia diz que foi “vítima de um linchamento digital”, e que as pessoas deveriam ser menos ofensivas. Por outro lado, afirma que no humor “vale tudo”, e que as pessoas é que a veem como ofensiva, mas ela não é. Ela é divertida. Claro, é muito divertido ridicularizar o outro. (A frase anterior sim é uma ironia, fica a dica).

Depois da repercussão, Silvia colocou uma observação no início do texto: “Humor cáustico perde a graça quando precisa ser explicado”. Acontece que O plano cobre – assim como Novo pobre, texto de maio do ano passado que acabei lendo só por esses dias – não tem explicação. Defender-se dizendo que ela é engraçada, e que é problema dos outros que entenderam como ofensa é o mesmo que dizer o problema não está no racista, mas sim no negro que sente-se ofendido por ter sido chamado de macaco, ou não está no homofóbico, mas no gay que resolveu beijar o namorado logo em público.

Em outra entrevista, desta vez ao Caderno Ela, de agosto de 2014, Silvia disse: “Apesar de ser uma pessoa muito atrevida, preciso muito da aprovação dos outros. Preciso do carinho até do porteiro. Se dou um ‘bom dia’, espero um ‘bom dia’ de volta. Mas só busco a aprovação das pessoas que eu amo. Se um leitor fica ofendido com algo que penso, não me importo”.

Pensemos.

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Escrito por

Jornalista por profissão, vocação e paixão. ♡

2 comentários em “OPINIÃO: SOBRE O TEXTO DE SILVIA PILZ

  1. Ligia, você disse TUDO! Essa mulher já é tão grandinha e ainda sem noção nenhuma de mundo. Tenho a impressão de que se perguntarmos “De onde vem o leite?”, ela vai nos responder: “Da caixa, oras!”. O pior de tudo é que ela obviamente não é a única, e os amigos dela ainda vão a favor.
    Gente assim não deveria ter um espaço tão visível como um blog no Globo. Não é possível, ela é um perigo.

    :\

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