ENTREVISTA: PAULINHO VILHENA

Hoje o blog traz uma entrevista super especial! Conversei com o ator Paulinho Vilhena sobre a peça Tô grávida, que está em cartaz no Teatro Fashion Mall (ingressos aqui), e seu papel na novela Império, como o pintor Domingos Salvador, que sofre de esquizofrenia.

A ideia de voltar para o palco surgiu junto da vontade de fazer comédia, após o intenso e desgastante trabalho na série A Teia, da TV Globo, em que interpretava o criminoso Marco Aurélio Baroni. Enquanto Paulinho buscava um texto mais leve, a amiga e também atriz Fernanda Rodrigues queria fazer algo “mais cabeça”, após a sequência de duas comédias seguidas. Foi aí que tudo começou, com um procurando para o outro um texto que encaixasse com os dois interesses.

– Até que ela me mandou esse texto [do Tô grávida], que tinham quatro personagens a princípio. A gente fez uma reunião, começamos a ler e vimos que dava para montar com um casal só. Adaptamos, produzimos eu, ela e o Léo [Fuchs, diretor de produção], e aconteceu.

A peça é uma comédia romântica que conta a história do casal Bianca e Thales no momento em que eles descobrem que serão pais, atravessando o período da gravidez e do nascimento do primeiro filho. Com roteiro de Regiana Antonini e direção de Pedro Vasconcelos, a trama é contada por alguns flashbacks – que mostram como os dois se conheceram e por quais situações passaram – e por cenas do presente, onde Thales e Bianca estão em uma terapia de casal e falam diretamente com a plateia, que, aliás, decide o desfecho da história ao final de setenta minutos.

Feita “na cara e na coragem” e com muita força de vontade, a peça viajou o Brasil e fica em cartaz só até o dia 8 de fevereiro, com sessões aos sábados às 21h30 e domingos às 20h30. Depois, segue para Campinas, em São Paulo. Apesar de criticar a falta de interesse na questão cultural por parte das empresas, Paulinho conta que não ter patrocínio é bom por conta da liberdade que isso gera.

– A gente fica realmente independente de tudo, e simplesmente faz do jeito que a gente quer, como a gente quer e se a gente quer fazer, então temos uma liberdade bastante grande. Hoje em dia, cada vez mais, é uma coisa natural os atores produzirem, então a gente conseguir fazer sem esse patrocínio é uma conquista muito grande, sim. Mas acho que ainda assim as empresas deveriam ter um foco maior na questão cultural, afinal a gente tem aí muitas leis que proporcionam uma maior participação delas, em questão de taxas, impostos… Então, às vezes, é um pouco de falta de interesse, mas também quem sou eu para julgar cada um que deixa de fazer ou que faz com outras pessoas e não com a gente? Acho que só o que é legal mesmo é a gente fazer e ponto.

Tô grávida traz uma história sobre gravidez e todas as emoções durante esse período, no entanto o espetáculo não é direcionado apenas para quem tem filhos ou está “grávido”, conforme explica Paulinho:

– A repercussão sempre foi muito positiva, em todos os sentidos. A identificação é imediata, desde o público mais velho ao público adolescente, porque a gente fala de relacionamento. Claro que com um close na gravidez inesperada, mas a gente fala de vida de seres humanos, o homem e a mulher, e a tentativa de ser feliz. O público que é pai e mãe tem uma identificação muito grande com todas as etapas da peça, mas o público que ainda não tem filhos tem muito da relação do casal. É claro que o filho muda muito a realidade cotidiana, mas eles continuam sendo um casal, com as mesmas brigas, alegrias, dores e com a felicidade de serem um casal.

Paulinho conta que nunca fez terapia de casal, mas já foi a psicólogos – mesmo que por pouco tempo – e acredita que “a terapia em si é bacana para a sociedade contemporânea como um todo”. Atualmente na televisão como o personagem Domingos Salvador, um presidiário esquizofrênico que tem talento para a arte, Paulinho diz que este é um trabalho “intenso e bastante desafiador”.

– Acho que para o ator, os personagens são sempre um desafio. Claro que uns são mais desafiadores, outros mais tranquilos dentro de uma zona de conhecimento, mas ele [Domingos Salvador] e o Baroni [seu personagem em A Teia] são os mais intensos. Acho que vem muito também da forma que eu estou abordando os personagens, tem uma questão pessoal também. Um olhar mais profundo sobre o ser humano.

Para o papel, estudou bastante a respeito da patologia, e não recebeu ajuda médica para a construção dos delírios e alucinações, mas contou com o apoio da sua irmã, que é psicóloga.

– Eu mostrei uma cena para ela depois de ter começado a gravar e ela me deu um ok, do tipo ‘vai lá que está no caminho certo’.

Sobre a arte, Paulinho acredita que muito mais que uma fuga da realidade, é uma espécie de cura, ou de aproveitar aquela mente de uma forma positiva.

– Elas [pessoas com a patologia] tem muitas coisas interessantes para doar para a sociedade, basta a gente ter a percepção para receber isso, como a Nise da Silveira* teve no trabalho dela, que é muito importante nesse sentido.

Mesmo com a agenda corrida com peça e novela, Paulinho ainda está trabalhando em um longa que está em produção há cinco anos, e que deve ser lançado este ano. O nome ainda não está definido, mas a trama conta a história de atletas brasileiros. Bora ver?

*Nise da Silveira foi uma das primeiras mulheres do Brasil a se formarem em medicina. Especializou-se em psiquiatria e lutou bravamente contra os tratamentos agressivos nos hospitais psiquiátricos da sua época, como os eletrochoques dados nos doentes. Criou a Seção Terapêutica Ocupacional com ateliês de pintura e modelagem no hospital onde trabalhava, dando aos pacientes a possibilidade de expressarem a criatividade. Mais tarde, em 1952, fundou o Museu de Imagens do Inconsciente.

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Escrito por

Jornalista por profissão, vocação e paixão. ♡

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