CERIMÔNIA DE ABERTURA: PARALIMPÍADA RIO 2016

Um pouco atrasada, quero falar sobre a Paralimpíada 2016. Não sei nem o que dizer sobre a tv aberta não transmitir, em tempo real, a cerimônia de abertura ocorrida no último 7 de setembro, mas quem teve a chance de assisti-la, não se arrependeu.

Ao som de Samba de Verão, de Caetano Veloso, a abertura começou de forma divertida, com o presidente do Comitê Paralímpico, Philip Craven, se preparando para vir ao Rio. Com o famoso chapéu Panamá posto na cabeça, o presidente colocou na mala as clássicas sandálias tipo Havaianas, livros sobre a cidade e um tamborim, junto do mascote paralímpico Tom. Mostrando as belezas do nosso país e a cultura brasileira, as cidades de Belém, Salvador, São Paulo vão surgindo até que Craven chegue ao Rio, de repente, sob os braços do Cristo Redentor e, mais tarde, ao Maracanã.

No estádio, onde foi realizada a celebração, após a contagem regressiva, o atleta americano Aaron Wheels desceu uma rampa de 15 m de altura com sua cadeira de rodas, finalizando com uma manobra radical.

Uma roda de samba, composta por diversos artistas, sobre uma projeção de engrenagens, é a metáfora que nos apresenta a roda, tão presente nos jogos paralímpicos, com diversas modalidades realizadas em cadeiras de rodas. Depois, uma incrível projeção mostra nosso atleta paralímpico brasileiro Daniel Dias, da natação, nadando numa enorme piscina que cobre o chão do Maraca. A piscina transforma-se em praia, considerada um local de inclusão, onde acolhe a todos, assim como as Paralimpíadas.

Rosane Miccolis trouxe a bandeira do Brasil para ser hasteada pelos bombeiros. Rosane é filha de Aldo Miccolis, personagem importante no movimento paralímpico no país numa época em que o esporte para deficientes era ignorado. Enquanto a bandeira era hasteada, o hino nacional era tocado no piano pelo Maestro João Carlos Martins, numa execução emocionante (não consegui segurar o choro).

Foto: OIS/COI/Simon Bruty
Foto: OIS/COI/Simon Bruty

As delegações dos nossos atletas heróis entraram, cada uma com uma peça de quebra-cabeça, com o nome do país que representam. O Brasil, último país a entrar com sua delegação no estádio, tal qual na abertura da Olimpíada, teve sua peça de quebra-cabeça carregada pela modelo e apresentadora Fernanda Lima e posta no centro do enorme mosaico pelo artista contemporâneo Vik Muniz. Formou-se um coração pulsante a partir do quebra-cabeça completo.

Após as falas oficiais do Presidente do Comitê Organizador Olímpico e Paralímpico, Carlos Arthur Nuzman, e do Presidente do Comitê Paralímpico Internacional, Philip Graven, o Presidente do Brasil, Michel Temer, em curtas linhas, declarou aberta a Paralimpíada Rio 2016.

A festa continuou e a chama paralímpica foi levada pelos atletas medalhistas Antonio Delfino, Marcia Malsar, Ádria Santos e, por fim, Clodoaldo Silva, que acendeu a pira sob forte chuva.

Para finalizar a cerimônia, Seu Jorge cantou e encantou a todos com a música E vamos à luta, de Gonzaguinha, e É preciso saber viver, de Roberto e Erasmo.

Até agora (12/09), o Brasil está em 5º lugar em medalhas de ouro e em 6º no quadro geral, com 6 medalhas de ouro, 14 de prata e 7 de bronze. Na Olimpíada, terminamos em 13º tanto em medalhas de ouro quanto no quadro geral, contabilizando 7 ouros, 6 pratas e 6 bronzes.


Até 2011, as Paralimpíadas eram chamadas de Paraolimpíadas. A mudança foi feita a pedido do Comitê Paralímpico Internacional para uniformizar o nome entre todos os países de língua portuguesa, já que países como Portugal, Cabo Verde, Angola e outros já usavam o termo sem o “o”.

Mas há quem discorde. Pasquale Cipro Neto, professor de português desde 1975, explica, no artigo linkado, que não há o menor sentido em suspender o “o” da palavra, uma vez que, na nossa língua,

(…) o que pode ocorrer é a supressão da vogal final do primeiro elemento e não da vogal inicial do segundo elemento. Vejamos: de ‘hidr(o)-‘ + ‘elétrico’ tem-se ‘hidroelétrico’ ou ‘hidrelétrico’ (e não ‘hidrolétrico’); de ‘gastro-‘ + ‘intestinal’ tem-se ‘gastrointestinal’ ou ‘gastrintestinal’ (e não ‘gastrontestinal’). Poderíamos, pois, ter também ‘Parolimpíada’ e ‘parolímpico’.

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Escrito por

Jornalista por profissão, vocação e paixão. ♡

2 comentários em “CERIMÔNIA DE ABERTURA: PARALIMPÍADA RIO 2016

  1. Foi lindo! Pena não ter passado na TV aberta! E adorei saber que logo nos primeiros dias já temos quase mais medalhas que em toda a Olimpíada 2016!

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