CAJU CADERNOS

O casal de namorados Joana Lavôr e Lucas van Hombeeck resolveram fazer uma road trip até a Bahia. Pegaram o carro e foram até a cidadezinha de Cumuruxatiba para aproveitar a praia (quase) deserta juntos. Joana, que sempre fez cadernos para si mesma, resolveu fazer um para Lucas, para que ele o recebesse como um caderno de viagem. Na capa, o mar: onde mergulhariam nos dez dias que se seguiriam. Durante a viagem, foi a primeira vez que Joana testou aquarela. Como num filme, pegou um coquinho na areia, encheu de água do mar e aquarelou.

Na época – final de janeiro deste ano -, Lucas não recebia da UERJ havia dois meses, onde trabalha em uma revista de direito, por conta das greves da universidade, e Joana estava trabalhando como tradutora freelancer. Até que, durante a viagem de volta, conversando sobre a vida e outras coisas, Lucas surgiu com a ideia de criarem uma marca e venderem cadernos para ganhar um dinheiro extra, já que o sustento dos dois estava incerto naquele momento. A marca Caju cadernos foi então criada em março.

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Momento amor

O nome curioso surgiu ainda na viagem quando, “pão-duros”, como dizem, economizavam dinheiro almoçando em um restaurante tipo pf (prato feito) e jantavam frutas na rua, “porque tinham mangueiras e cajueiros para todos os lados”. O nome certamente seria ou manga ou caju e acabaram optando pela segunda fruta.

Chegando ao Rio, a ideia virou prática. A divisão de tarefas do artesanato é simples: Lucas trabalha na guilhotina, dando forma aos cadernos, arredondando as bordas com estilete e costurando-os, e Joana faz as aquarelas das capas. Quando as capas são colagens, a responsabilidade é de Lucas. Nas redes sociais (instagram, facebook e tumblr), quem publica é Joana.

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Lucas arredondando as bordas

– Os primeiros cadernos eram costurados com fio dental, porque é um tipo de fio encerado, e precisa ser para não correr o papel e para durar. Depois, comprei este carretel de fio encerado que, na verdade, é próprio para fazer bijuteria. Agora que ele está acabando, desde março. Quer dizer que já produzimos quase um quilômetro de cadernos – comemora Lucas.

A ideia da Caju (eles chamam a marca pelo feminino e os cadernos pelo masculino: a Caju cadernos e os cajus) é que as pessoas tenham o que elas desejam. Por conta disso, a demanda maior é por encomenda e não por capas já prontas.

– Queremos que seja útil e bonito dentro do tema que o comprador queira e a necessidade que ele tenha. Teve um período recente, quando eu estava traduzindo um livro e o Lucas estava começando a monografia dele, que não estávamos com tempo livre, então só ficamos com as encomendas, sem bolar nada novo – explica Joana.

A mesa de trabalho
A mesa de trabalho

A organização para a criação dos cajus é que todos os pedidos daquele mês sejam produzidos no meio do mês e a entrega das encomendas no fim.

Inicialmente, a produção era para amigos. Com o boca a boca e a divulgação no instagram, o negócio foi crescendo. A primeira grande encomenda foi no Dia das Mães, em maio. Joana fez um post especial para a data, e isso fez com que as pessoas fizessem encomendas específicas para o dia.

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Lucas e Joana trabalhando

Desde junho, deixam cadernos para serem vendidos na galeria Índica Arte e Design, em Ipanema, produzindo conforme a demanda.

– Na primeira leva, foram cinco temas que o Lucas fez de colagens, revistas antigas de fotografias que eu tinha em casa e os outros fui eu que fiz: uma arara, uma mulher sem cabeça, um mar com pessoas andando na praia. Eram temas variados. Mas, majoritariamente, trabalhamos com encomendas. As pessoas dizem o que querem e a gente dá um jeito de produzir. Mas acontece de às vezes pedirem para que a gente faça uma capa que seja “a cara” da pessoa e aí nós temos que pensar para fazer – diz a artista.

Depois, em julho, durante a Flip (para onde foram somente com o dinheiro arrecadado com as vendas e conseguiram pagar pousada, tendas, curso de encadernação), tiveram outro retorno bastante positivo.

– O retorno foi muito bom tanto das pessoas que também estavam participando do curso (de encadernação), que foram super receptivas e gostaram da ideia, quanto das pessoas na rua. A gente andava com uma cesta forrada com chita com os cadernos para vender e, enquanto a gente andava, as pessoas vinham curiosas perguntar o que era e quanto era. Isso deu para perceber que não é só para os amigos que dava para vender – lembra a artista.

Lucas gosta de lembrar a história dessa chita. Tudo começou no carnaval, quando foram ao Centro comprar fantasias, após a viagem e a ideia da Caju surgir.

– A gente foi comprar fantasia de carnaval e acabamos comprando papel para fazer os cadernos. Daí a gente foi em uma loja de tecidos para comprar fantasia e eu queria um tecido barato, até que a gente viu essa chita linda, vermelha, e compramos dois metros. Então ela já foi minha fantasia de carnaval, que eu fui todo de flores, depois foi toalha de mesa, depois usamos para ficar no fundo da cesta na Flip e serviu também de fundo para fotografias do instagram – conta Lucas.

Durante o fim de semana Santa Teresa de Portas Abertas, em outubro, uma amiga moradora do bairro convidou o casal para expor lá. Alguns cadernos foram colocados em cima de uma mesa e, quando perceberam, as pessoas estavam fazendo encomendas na hora – eles haviam levado alguns cadernos “crus”, sem capa, o que permitiu que fizessem as capas pedidas de última hora.

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Cadernos crus prontos para receberem aquarela

A próxima conquista do casal é participar da edição especial de 4 anos do Cluster.  Eles começaram a pensar em participar destas feiras no Rio, mandaram um e-mail e a responsável pelo recrutamento das marcas adorou a ideia. O evento será realizado neste domingo, dia 20 de novembro, das 13h às 22h, na Casa da Marquesa de Santos (Av. Pedro II, 293, São Cristóvão).

Os cadernos são feitos com folhas sem pauta de papel Verger Canson 120g marfim, podendo ser minis ou maiores. Os minis (8cm x 12,5cm) custam R$ 20,00. Os maiores são tamanho A5 e custam R$ 30,00.

– Mas a partir destas duas variações, existem mil outras maneiras de precificar, depende do que a pessoa quer. Se quiser um caderno A4, se quiser uma agenda, se quiser que coloque páginas coloridas dentro, se quiser que imprima bullet points… E aí o preço vai variar de acordo com o custo que nós tivermos.

E, aproveitando que o Natal está logo aí, que tal encomendar cajus exclusivos para seus familiares e amigos? #ficaadica

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Escrito por

Jornalista por profissão, vocação e paixão. ♡

5 comentários em “CAJU CADERNOS

  1. Amei, Jô querida!!!
    Vou querer o meu…entrarei em contato!!
    Parabéns e sucesso pra vocês dois!!!
    Tânia

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