SÉRIE MULHERES: MARIANA XAVIER

A carioca Mariana Xavier, de 26 anos, é professora de inglês e historiadora especialista em gênero e sexualidade, e, recentemente, lançou seu primeiro livro, Ínfimo, lançado pela Macabéa Edições, que publica obras feitas por mulheres e sobre mulheres.

Desde a infância gosta de escrever e já naquela época montava livrinhos infantis com seus “próprios desenhos e letrinhas”, alguns guardados até hoje pela sua mãe. Aos 16, passou a escrever mais e tinha blogs – que não mostrava a ninguém ou a poucas pessoas. Foi com a chegada da maioridade, aos 18, que se deparou com a poesia e passou a ler.

– Fui muitíssimo influenciada pelo blog Mal Rabisco, do Leleco, meu então namorado e hoje marido e pai de minha filha. Ele escreve uma poesia muito visceral e isso me acendeu algo forte. Até então, eu só escrevia contos, prosas e crônicas. A partir daí, também tive contato com a obra de Hilda Hilst e Ana Cristina César, que me influenciam até hoje no modo de escrever, ou me inspiram a faze-lo. Leminski também me foi um marco. As obras das duas poetas em conjunto com a descoberta de Kafka, Dostoiévski e Sartre mudaram pra sempre meu jeito de existir e escrever – lembra Mariana.

Ínfimo é um livro sobre a solidão feminina urbana e, desde a sua produção até o lançamento foi um período muito longo, onde a autora vivenciou experiências muito intensas em sua vida. Decidiu publicá-lo para expurgar seus fantasmas e liberar essa energia. Já pensava em publicar as suas poesias anteriormente, mas nada muito definido, só as colocava nos antigos blogs, mas sempre teve uma conexão enorme com o papel, com o tato, o cheiro, então sentia falta de produzir algo físico.

Trecho de uma de suas poesias favoritas

– Começo a escrever as poesias de Ínfimo em 2015, um período pessoalmente muito conturbado e quando, logo depois de ter minha primeira filha, me identifico com o feminismo pela primeira vez depois de uma série de violências obstétricas e da reflexão sobre a sociedade e a maternidade. A partir deste período, começo a perceber a incrível solidão que nós, mulheres, vivemos ao transitar pela cidade. Tantos silêncios em meio ao caos urbano. Tantas violências. E estamos sempre correndo. Em 2016, termino a especialização em Gênero e Sexualidade na UERJ que virou minha vida do avesso. Esse fim me foi extremamente angustiante e resolvi que deveria, finalmente, organizar minhas poesias para o Ínfimo, cujo título me veio muito forte em uma noite de 2015 e nunca esqueci. Finalmente, em 2017, passei a enxergar e viver essa solidão mais profundamente ao acordar diariamente antes das seis da manhã para pegar três conduções para trabalhar muito longe da minha casa em um emprego em que eu não me identificava e não conseguia fazer o que acreditava. Eu ia em silêncio, voltava em silêncio. Sempre correndo. Ínfimo, como eu já disse, é um retrato das minhas vivências, que está intimamente com a vivência de ser mulher, influenciada por mulheres.

Para Mariana, a solidão inspira e ela gosta da solitude. Segundo ela, vivemos diversas solidões, em diversos marcadores sociais, e a solidão torna-se necessária. Para escrever, observa seus sentimentos, imagens ou situações que a fazem sentir algo.

– A inspiração vem de cenas cotidianas, vivências. A angústia me leva à poesia.

Sobre o título, titubeia ao explicar. Ínfimo é uma palavra que demonstra algo tão pequeno e a ideia foi essa ao escolhê-la como título.

– Não sei se gosto de explicar e se sei fazê-lo… Mas o título remete ao sentimento de ser quem eu fui nesse período, que está ligado intimamente ao ser mulher. Ínfimo também conversa com íntimo.

Quem quiser adquirir um exemplar, o link é esse aqui.

 

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Escrito por

Jornalista por profissão, vocação e paixão. ♡

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