SÉRIE MULHERES: ADRIANA MALUENDAS

Adriana Maluendas, de 46 anos, é uma sobrevivente. Viveu uma experiência de quase morte naquele inesquecível 11 de setembro de 2001. Ela é a única brasileira que sobreviveu ao ataque terrorista e, após anos de reabilitação, terapia e de um doloroso processo para superar os traumas daquela tragédia, lançou o livro Além das Explosões, em que relata sua história de sobrevivência e superação.

Nascida em Paranaguá, no Paraná, Adriana formou-se em Administração/Comércio Exterior com pós-graduação em Sistema de Qualidade. Aos 29 anos, fundou sua própria empresa de consultoria de importação e exportação. Foi quando decidiu fazer um curso no exterior para obter licença como operadora de commodities. Viajou para os Estados Unidos no dia 7 de setembro de 2001 e hospedou-se no hotel Marriott WTC, entre as  torres gêmeas World Trade Center, também conhecido como a terceira torre. Na manhã do dia 11 de setembro, a vida dela mudou completamente.

– Quando o primeiro avião colidiu, eu ainda estava em meu quarto de hotel. Porém, só percebi que havia algo muito sério quando olhei pela janela panorâmica situada perto dos elevadores, ao final do corredor do andar onde eu estava hospedada – lembra.

Ela tentou ligar algumas vezes para o lobby do hotel para obter informações sobre o que estava acontecendo e, como ninguém atendeu, decidiu buscar a informação pessoalmente.

– Durante minha descida pelas escadarias do hotel, o pânico já estava se instalando e hóspedes do hotel corriam escadaria abaixo, alguns ainda de pijama.  Até conseguir sair do hotel, e ainda sem saber ao certo o que estava acontecendo, procurei um local onde poderia estar, digamos, em segurança ou salva. Eu estava lá, presenciei tudo e por horas fiquei ali paralisada sem poder me mover. O mais importante, de agora em diante, é impedir que aconteça outras vezes.

O hotel onde estava hospedada foi totalmente destruído e Adriana escapou por pouco da morte, sofrendo lesões físicas e traumas emocionais que carregou durante muito tempo. Após aquela manhã, sua vida, sua carreira profissional, sua saúde – que apresentou algumas limitações – e suas prioridades mudaram. Ela acredita que não morreu porque “não era a hora”.

– Tive uma segunda chance. Uma nova vida. Agradeço a Deus todos os dias. Estou mais forte em muitos sentidos, mas ainda sensível em outros. Hoje valorizo muito mais o trabalho humanitário no mundo. E estou mais alerta sobre os perigos que vivemos nesta “Era do Terror”. O que aconteceu mudou o mundo e marcou uma Era. Passei a observar mais o que acontece ao meu redor.

Alguns meses após o atentado, Adriana foi diagnosticada com transtorno de estresse pós-traumático e, durante anos, fez terapia para superar seus traumas. Hoje em dia, não vai à terapia com a frequência que ia anos atrás. Acredita que o amor, a sua força interior e a sua fé ajudaram a superar quase todos os traumas.

Após o ataque terrorista, Adriana conta que ter sobrevivido à queda das torres gêmeas proporcionou a ela uma perspectiva única sobre a vida.

– Durante anos me retirei do mundo, me isolando, devido às minhas experiências. Por muito tempo, partes de mim pareciam mortas, tanto para o mundo quanto para mim mesma. E, na verdade, nunca serei a mesma pessoa que era antes. Mas gosto de pensar em mim como uma nova versão melhorada, erguida nos mesmos alicerces sólidos, meus princípios e valores, e na minha fé. Sempre fui uma pessoa de fé e com certeza minha fé está muito mais forte do que antes.

Adriana decidiu escrever Além das Explosões quando se sentiu forte o suficiente para confrontar as dolorosas lembranças da experiência. De acordo com a autora, o livro não é somente uma memória, mas parte da História.

– Alguns fatos me fizeram entender que era hora de abraçar a vida novamente. É minha forma de expressar amor à vida e a oportunidade de ainda estar aqui. É uma mensagem de superação. Eu acredito em compartilhar o que passei e tentar transformar toda a experiência que sofri em uma mensagem de esperança e força positiva, para que isso ajude a encorajar aqueles que, como eu, enfrentaram dificuldades extremas, depressão, trauma ou perda em suas vidas para motivar e ajudar a perseverar e jamais desistir da vida.

Em Além das Explosões, Adriana relata uma história real, de uma pessoa que luta para retomar a vida e apreciar os momentos novamente, após tamanha tragédia e obstáculos enfrentados. Lá, menciona o que aconteceu, de onde vem, quais eram as aspirações de uma jovem de Paranaguá. Para ela, o livro não deve ser rotulado como algo triste.

– Sim, há momentos extremos onde inevitavelmente precisei expressar meus sentimentos, porém o conteúdo é sobre como os superei. Além também de falar sobre outros sentimentos que presenciei naquele dia, principalmente a solidariedade humana.

Anos após o 11/9, Adriana mudou-se para os Estados Unidos, onde hoje vive com o marido. Trabalha como escritora e realiza alguns trabalhos voluntários.

Foto: Bruno Morais

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Escrito por

Jornalista por profissão, vocação e paixão. ♡

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