SÉRIE MULHERES: MARIANNA RIBEIRO

Marianna Ribeiro, a Mari, de 28 anos, é formada em jornalismo e atualmente trabalha como produtora do Universal Channel, na área de produção original brasileira, acompanhando a escolha e produção desses projetos, e como youtuber, no canal De Mudança.

Introduz seus vídeos com um bem característico “Olar, pessoas!”, uma forma simpática de agregar a todos os que estão passando por alguma mudança na vida: quem está indo morar sozinho, com amigo, com namorado, em uma república. E agrega mesmo: em um ano de canal, já conta com 33.700 inscritos.

– Jamais esperei essa repercussão. É claro que quando a gente começa a fazer algo, espera um retorno legal, algum sucesso, mas sucesso para mim era ter mil inscritos e uma comunidade de pessoas que estavam passando pela mesma coisa que eu. Agora a comunidade cresceu e muita coisa boa está acontecendo na minha vida por causa do Youtube.

Desde o início, a proposta é trazer todos os tipos de experiência de quem vive sozinho para o canal ficar mais completo, mas ela utiliza como base o seu próprio aprendizado ao longo desses quase 2 anos que saiu da casa da mãe.

– Eu acho super importante trazer pessoas que moraram em república, que moraram fora do país por muito tempo, que mudaram de estado. Mudança é um assunto muito amplo e cada um vive de uma forma, então quero reunir o máximo de histórias possíveis para que todos se sintam representados no canal. Vou atingir uma das minhas metas principais quando conseguir viajar pelo Brasil visitando as casas das pessoas [risos].

Mari traz essa representatividade também quando fala de mudanças pessoais, como o processo de transição capilar, quando decidiu assumir seus fios e parar de alisar os cabelos como fazia desde os 13.

– O motivo é bem clássico: odiava meu cabelo, sofria bullying, me achava feia e encontrei no alisamento a solução para metade dos problemas. Por ser negra de pele clara, acho que tudo o que aconteceu comigo foi menos evidente do que com mulheres com pele mais escura, mas não deixa de ser discriminação. É o racismo na piada, no “você não pode sair de preto, né? Senão some”, “negra bonita”, “você é exótica”. Na escola, sofria mais com o “macaca”, com os desenhos que me comparavam ao animal, com constantes ataques ao meu cabelo, meu nariz. Tentei me embranquecer de todas as formas e o alisamento foi parte disso. Me incomoda até hoje eu ser a única negra dos lugares que frequento, por exemplo.

Ela decidiu parar com o alisamento quando se olhou no espelho e se achou sem graça e sem vida.

– Foi bem do nada, acordei e pensei: acho que vou parar. Foi nesse momento que comecei a assistir a muitos vídeos no Youtube, encontrar meninas negras cacheadas, crespas e me senti em casa. Aprendi tudo sobre texturização, produtos, técnicas e acabei ficando viciada. Minha ideia inicial era ter um canal falando sobre isso, mas as meninas já eram tão boas que eu não ia ter espaço – brinca.

Apesar da vontade de mudar, o processo foi muito doloroso, “horrível em letras maiúsculas” e difícil até de lembrar.

– Pensei em desistir quando vi meu cabelo com duas texturas, não ficava bom nem escovado, nem solto, nem preso e eu não queria cortar. Pensando hoje, eu teria cortado tudo logo. A fase que mais me amei foi quando o cabelo estava bem curtinho. Hoje uso a técnica no poo, que não usa produtos com sulfato, parabenos, silicones insolúveis… Mas se precisar trocar, eu troco, porque adoro experimentar coisas novas, não tenho apego. Mas brinco que meu cabelo é meu maior patrimônio.

Mari afirma que sua autoestima hoje “está em paz”. Tem suas questões, mas que as incomodam menos.

– Na verdade, ligo pouco [para as questões]. A única coisa que fiz depois de começar o canal foi colocar aparelho porque meu dente estava muito torto. Fora isso, aprendi a desapegar do que as pessoas pensam de mim… A gente perde muito tempo tentando agradar os outros.

Com isso, acredita que o feminismo é fundamental. Se sente mais forte graças ao movimento, que está cada vez mais fortalecido.

– Me sinto mais forte para lutar, mais segura, acredito mais em mim, vejo parceria em outras mulheres e não mais competição. É uma discussão essencial e precisamos dar espaço para todas elas, precisamos colocar o dedo na ferida, usar nossa voz para ensinar outras pessoas, criar nossas crianças em um mundo igualitário. Aproveitei o Dia Internacional da Mulher para lançar um vídeo com um recado bacana. Acho que podemos mudar as coisas aos poucos, cada uma dentro da sua área. Vamos juntas!

Foto: Lucas Landau

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Escrito por

Jornalista por profissão, vocação e paixão. ♡

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