SÉRIE MULHERES: CAROLINA PORCHER

Trabalhando há 7 anos em agências de publicidade, Carolina Porcher, de 28 anos, é formada em administração e marketing e, recentemente, tornou-se empreendedora. Abriu a WILD Alquimias, marca de cosméticos naturais e veganos produzidos artesanalmente e em pequenos lotes.

Ela se descreve como uma pessoa que oscila entre a introversão e a extroversão e que respeita esses momentos. “Louca por astrologia”, acredita muito em energia.

– Sou bem bruxa da terra mesmo, com sol em Virgem, lua em Touro e ascendente em Capricórnio. Amo natureza, mas sou super urbana. Adoro ficar em casa, mas também gosto muito de sair, beber drinks, ir a shows e dançar. Se tudo isso tiver comida junto, melhor ainda!

Carolina pratica pilates e deseja voltar com a yoga. Gosta de ler, viajar e ouvir música. Ela se considera uma mulher que gosta de cuidar de si e dos outros.

A sua relação com a beleza e com cosméticos surgiu cedo, ainda na infância. Sempre foi muito vaidosa, mas na adolescência começou a sofrer com alergias por ter a pele muito sensível. Fazia tratamentos dermatológicos e até tomava injeções para melhorar a imunidade.

– Mas a sensação era que [os tratamentos] só acalmavam minha pele por um tempo e logo a sensibilidade voltava.

Quando entrou na faculdade e começou a estagiar, o dinheiro que recebia serviu para ela investir mais em maquiagens e cosméticos para cuidar da pele.

– Testei muita coisa diferente e alguns bem caros. O resultado nunca eram 100% para mim, mas chega um momento que você pensa que terá que se conformar com isso. Nessa saga, acabava estudando bastante sobre cosméticos, buscando entender o que funcionava e não funcionava para mim. Virei uma nerd dos cosméticos e isso me rendeu uma oportunidade de trabalho.

 Em 2013, começou a trabalhar na área de planejamento estratégico de uma agência e um dos clientes era uma rede de farmácias. Lá recebeu o desafio de construir uma marca própria, do zero.

 

– Precisei aprofundar ainda mais os meus conhecimentos. Não só sobre produtos, mas também sobre os consumidores e o que acontecia no mercado. Numa pesquisa de tendências, acabei descobrindo algumas marcas internacionais que formulavam cosméticos totalmente naturais e isso fez meu olho brilhar. Ativos naturais era algo que eu buscava nos meus cosméticos. Eu pensava que queria muito trabalhar com algo assim, mas parecia bem distante… Afinal, como eu, administradora e publicitária, iria conseguir formular um cosmético?

 

A vida foi acontecendo e Carolina se viu em um momento difícil, depois de sair de um longo relacionamento e voltar para a casa da mãe.

 

– Fins de relacionamentos às vezes são bem complicados e a gente precisa distrair a mente para não se colocar para baixo. Foi nesse momento que percebi que poderia fazer meus próprios cosméticos, mas ainda nem sonhava com a WILD.

 

Enquanto estudava sobre os benefícios das plantas, como usar óleos essenciais, óleos vegetais, argilas e outros tantos ingredientes, a pele de Carolina começou a melhorar. Livros, conversas em grupos do Facebook, leitura de blogs e muita inspiração no Pinterest foram os maiores aliados dela na hora que adquirir conhecimento sobre o assunto.

 

O sonho de ter seu próprio negócio sempre existiu, mas não queria “começar por começar”, mas sim criar algo que fizesse seus olhos brilharem e tivesse algum propósito. Até perceber que poderia transformar os cosméticos que fazia para si em um negócio levou meses. A empreendedora faz questão de deixar claro que os produtos são veganos, “para facilitar a vida de quem compra”.

 

– Acredito que todos os produtos, não só alimentos e cosméticos, deveriam vir com informações que deixem claro se são próprios para vegetarianos, veganos e, aqui, incluo também restrições ao glúten e à lactose.

 

Apesar de não ser vegetariana, Carolina não compra hoje mais nenhum cosmético que seja testado em animais.

 

– Quase todas as minhas maquiagens já foram substituídas por versões cruelty free e, dentro disso, tento sempre conseguir opções veganas, mas às vezes ainda é difícil encontrar. Quando fazia produtos apenas para uso pessoal, no lugar de cera de candelila, usava cera de abelha. Mas, no momento em que comecei o negócio, achei que não faria sentido produzir algo com ingredientes de origem animal, como cera de abelha e mel. Afinal, embora também seja sobre autocuidado, cosmético também é muito sobre vaidade, e não acho legal explorar animais para produzir meus produtos.

 

Seus produtos são de origem natural (vegetal ou mineral) e os aromas vêm dos óleos essenciais, que são puros e possuem propriedades aromaterapêuticas. As embalagens não são naturais, mas procura privilegiar o vidro e o alumínio, porque o impacto ambiental é menor quando comparado ao plástico. Para ela, a WILD busca uma beleza minismalista, ou seja, que não usa substâncias tóxicas e desnecessárias na nossa pele.

 

– A WILD ainda é uma marca bebê, tem poucos produtos. Os bálsamos labiais são os queridinhos, porque é como tudo começou. A produção acontece na cozinha da minha casa, mas com todo cuidado e higiene. Sonho em ter um ateliê próprio e estou me organizando para ter esse espaço no próximo ano. O ato de fazer cosméticos é muito parecido com cozinhar: qualquer pessoa pode fazer isso mas nem todas curtem. Mesmo sendo uma produção artesanal e caseira, acho importante dizer que os utensílios de fazer cosméticos não devem ser usados para comida, é preciso muito cuidado. 

A marca quer ressaltar a beleza natural e selvagem, ou seja, aquilo que vive em sua mais pura essência, é autêntico e natural. Segundo Carolina, essa beleza pode ser uma pessoa de cara limpa ou alguém super produzido, pois é muito mais sobre sentir-se bem. Isso também tem muito a ver com a sua relação com o feminismo.

 

– Venho de uma família bem conservadora. Assim como muitas mulheres, fui ensinada sobre coisas de menina e coisas de menino e discussões sobre isso ainda são uma constante aqui em casa. Mas, muito antes de saber o que era feminismo, sempre fui um tanto rebelde, eu e minhas irmãs. O feminismo é super importante para todas as mulheres, mesmo aquelas que não sabem disso. Acredito que muito já foi conquistado mas ainda há muito para lutar. Fico feliz em ver cada vez mais mulheres se vendo como feministas e lutando pelos seus direitos, mas também me assusto com o retrocesso de outros. Só que o medo não pode nos parar, precisamos seguir firmes na luta. O feminismo é uma luta de todos, para que todos possam ser livres e existir de um jeito mais iluminado.

 

Carolina busca levar autoaceitação e amor próprio através de seus produtos. Para ela, da mesma forma que a beleza pode ser impositora, pode ser usada de forma muito libertadora também, quando cada um pode viver a sua beleza como bem entender. Ela acredita no empoderamento através da autoestima, porque “quem se sente bem irradia isso”.
Anúncios

Escrito por

Jornalista por profissão, vocação e paixão. ♡

Um comentário em “SÉRIE MULHERES: CAROLINA PORCHER

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s