SÉRIE MULHERES: GABRIELA ROSAS

A atriz Gabriela Rosas, paulistana de 36 anos, estreia no próximo dia 24 como a personagem Jocasta, da peça Édipo e o Rei, um Acidente Mitológico, no Teatro Ipanema. Sob direção de Adriano Coelho, o espetáculo é uma paródia da clássica tragédia grega de Sófocles, Édipo Rei. A temporada vai até o dia 9 de abril, aos sábados às 21h e aos domingos e segundas às 20h.

Gabriela estudou cinema na FAAP ao mesmo tempo em que fazia o curso profissionalizante de teatro. Mas foi em Paris, na França, que seus estudos teatrais se aprofundaram. Estudou na École Philippe Gaulier de Théâtre, onde teve aulas de Máscara Neutra, Shakespeare, Tragédia Grega, Melodrama, Vaudeville, Bouffon, Clown e Tchékhov.

– Foi um ano de muita entrega, trocando experiência e aprendendo com atores de diferentes lugares do mundo. Quando voltei, fiz parte da companhia de teatro Antro Exposto, do Ruy Filho, e me matriculei em alguns cursos.

Foi num desses cursos que a indicaram para um teste como apresentadora da Rede Vanguarda, afiliada da Globo com sede em São José dos Campos, onde ficou por 4 anos na nova carreira. Até que percebeu que estava se afastanto demais do seu caminho como atriz.

– Montei um monólogo escrito por uma amiga e dirigido por Marcelo Rubens Paiva, me mudei para o Rio e me matriculei no treino para atores profissionais do Daniel Herz. Foi a melhor escolha que poderia ter feito! Passei o primeiro ano admirando cada vez mais seu trabalho e de sua Companhia [Cia Atores de Laura] e, em pouco tempo, surgiu o primeiro convite para atuar em uma peça da Companhia. Depois, vieram novos convites do diretor e assim começou meu novo caminho como atriz, do qual me orgulho muito. Na última peça, aconteceu o inverso, eu e três amigas nos juntamos e convidamos Daniel para nos dirigir em Perdoa-me Por Me Traíres, de Nelson Rodrigues.

Na TV, fez diversas participações e adoraria ter uma personagem em uma novela ou série. No cinema, participou de alguns curtametragens como Noite de Sol, pelo qual recebeu o prêmio Kikito de Melhor Atriz no Festival de Gramado. Mas o teatro é onde ama estar.

– Eu amo pisar no palco, adoro ensaio, o tempo de criar e investigar que o teatro demanda. E, quando chega a estreia, o prazer só aumenta. Estar em cartaz significa buscar, a cada noite, uma nova relação com aquele público, que está ali te olhando e você deve estar inteiro e entregue, senão ele percebe e se afasta. A troca com os atores deve ser viva, nova. É incrível sentir o público e permitir que o espetáculo mude a cada noite.

Júnior Fritto

Em Édipo e o Rei, o oráculo de Delphos prevê que Édipo será o assassino do próprio pai. Para evitar a profecia, ele foge do Corinto, e vai para Tebas, cidade governada pelo rei Laio e pela rainha Jocasta, papel de Gabriela. Mas a cidade é dominada por uma terrível esfinge e, num ato heroico, Édipo derrota o monstro e liberta a cidade. Os tebanos passam a adorá-lo, inclusive Laio e Jocasta, despertando a ira dos Deuses. Tebas é então castigada. Em busca da cura para a cidade, os reis descobrem que são os pais de Édipo. Tocados pela descoberta, Laio, Jocasta e Édipo traçam um rumo diferente da tragédia de Sófocles.

No elenco estão Francisco Vitti (Édipo), Gabriela Rosas (Jocasta), José Karini (Laio) e Beto Bruno(Creonte). O coro é formado por Breno Motta, Cadu Libonati e Ranther Melo.

Para Gabriela, é um enorme presente interpretar Jocasta, uma mulher poderosa, forte e articuladora. No entanto, ressalva que a rainha Jocasta desta comédia é bem diferente da rainha da tragédia.

– Um dia ainda quero interpretá-la, mas aqui foi necessário mudar certas características e trazer leveza em determinados momentos, para amenizar o lado trágico, afinal é a comédia de uma tragédia e traz um desfecho diferente. A proposta da autora [o texto é de Laura Rissin] é fazer um espetáculo divertido e falar do desejo independente do gênero. É uma peça inclusiva.

A questão de gênero, na vida pessoal da atriz, tornou-se um assunto mais frequente desde que deu à luz Martín, de 2 anos.

– O feminismo ganhou uma relevância maior nestes últimos dois anos. Quero garantir que ele cresça acreditando na igualdade de direitos, que não se ache superior por ser menino, que não seja refém de estereótipos, enfim, diariamente penso no assunto e me deparo com dúvidas e questionamentos sobre minha criação e sobre como é importante estar atento a cada frase repetida a um filho ou filha.

Anúncios

Escrito por

Jornalista por profissão, vocação e paixão. ♡

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s