SÉRIE MULHERES: MARIA OTÁVIA CORDAZZO

Nascida na cidade de Blumenau, Santa Catarina, Maria Otávia Cordazzo está no ar como a vedete Aline, na novela Tempo de Amar, da TV Globo. Antes de tornar-se atriz, se formou em Gastronomia pela Universidade do Vale do Itajaí. Enquanto estava na faculdade fez um curso profissionalizante de teatro e TV. Chegou a ter um pub na cidade de Piçarras, mas o desejo de atuar sempre falou mais alto.

– Meus pais tinham um restaurante no Beto Carrero World e eu cresci entre os artistas circenses. Acredito que esta foi a minha principal inspiração, pois eu brincava com os filhos dos artistas. Hoje faço parte da Trupe Bartholo, cujos componentes são os filhos e netos do saudoso Ruy Bartholo, que por muitos anos trabalhou ao lado do Beto Carrero na criação do parque. O palco me fascinava. Após um período, decidi fechar o pub e ingressei numa companhia de teatro catarinense. Depois disso, fui estudar artes em São Paulo, e foi quando concluí o curso do Wolf Maia.

Por ter nascido prematura, precisou tomar fortes medicações que resultaram numa perda de audição severa bilateral (85 decibéis no ouvido esquerdo e 65 decibéis no direito). Apesar disso, Maria Otávia desenvolveu a fala e entende as conversas por leitura labial, pois, com a condição, acabou desenvolvendo outros sensores.

– A minha infância foi normal, pois era aquele o mundo que eu conhecia. Eu brincava muito com minhas amigas, fazia teatrinho, frequentava várias festas. Eu nunca estudei em colégio especial, pois coloquei aparelho aos 4 anos e desenvolvi a fala através de muitas idas a bons profissionais. Porém, ao tirar o aparelho, eu não escuto mais nada, aí meu mundo é o do silêncio.

A atriz encarou o bullying no colégio, quando, por exemplo, sua participação em trabalhos de grupo era negada porque seus colegas duvidavam de sua capacidade mental para concluir as tarefas.

– A superação de obstáculos é um fator essencial na vida de qualquer ser humano, independente da pessoa ser um deficiente auditivo ou não. Mas para as minorias a superação deve ser ainda maior. É preciso muita perseverança para não desistir. Todos os dias são de lutas e a batalha é árdua. É preciso garra e muita coragem.

Até hoje, as idas aos fonoaudiólogos continuam. Sempre precisa de novas técnicas para aperfeiçoar os fonemas. Em 2016, foi atendida pela renomada fonoaudióloga Glorinha Beuttenmüller, que ficou maravilhada com a forma que fala.

Para Maria Otávia, é necessário mais investimento e políticas públicas para os deficientes auditivos.

– Os governantes devem dar mais atenção para estas pessoas adquirirem mais qualidade de vida.

Foi em 2015 que decidiu vir para o Rio de Janeiro estudar na Casa das Artes de Laranjeiras (CAL) e acabou fazendo vários outros cursos voltados para a tv.

– Eu me mudei para o Rio justamente para me aperfeiçoar como atriz e também para arrumar trabalho. Sempre estive acompanhada dos meus pais e amigos.

Dentre os trabalhos que já realizou estão as peças As descobertas, de Jean Pierre Kuhl e Cleber Lach, Eu ainda estou aqui, de Johnny Foz, e Paixão de Cristo, de Bub Razz. Participou do longametragem O livro de contos – A magia nunca acaba, de Bub Razz, e protagonizou o curta A Espera, de Ricardo Zanon.

A oportunidade para estar no elenco de apoio de Tempo de Amar surgiu quando uma amiga enviou alguns de seus trabalhos para o diretor Jayme Monjardim, que a convidou para um teste.

– Antes disso, a novelista Glória Perez também havia pedido o meu material e eu faria uma pequena participação na novela A Força do Querer. Porém, com o convite do Jayme, enviei um recado para a Glória Perez dizendo que faria uma personagem durante toda a trama e não poderia mais fazer a participação. Sou muito grata à ela e ainda quero trabalhar um dia em uma obra dela, pois sou muito fã. Após o teste fui aprovada para ser a vedete Aline. Só tenho a agradecer ao diretor Jayme Monjardim e também ao autor Alcides Nogueira. Contracenar com a Regina Duarte foi fantástico. Ela é simplesmente uma diva! Sempre está sorrindo e disposta a auxiliar pessoas como eu, em início de carreira. Ela é muito generosa, profissional, uma querida. Só tenho boas lembranças da forma como ela nos acolheu, todas as meninas da Maison Dorée. Madame Lucerne estará para sempre em meu coração.

No meio artístico, a maior dificuldade é quando contracena com alguém que está posicionada atrás dela e, então, não é possível fazer a leitura labial.

– Quando isso acontece, conto os segundos e tenho as deixas para a fala. Fora isso, não existe mais nenhuma dificuldade.

 

Foto por Ricardo Zanon

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Escrito por

Jornalista por profissão, vocação e paixão. ♡

3 comentários em “SÉRIE MULHERES: MARIA OTÁVIA CORDAZZO

  1. Que orgulho Tata, que venham muitos e muitos trabalhos. Feliz por você…. abraços “Simoli”..❤❤❤

  2. Tata sua linda, você sempre me enchendo de orgulho, amei a entrevista, parabéns sempre me emociono. Te desejo muito sucesso e que você continue iluminando por onde passa! Te Amo ❤️

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