SÉRIE MULHERES: LISI SFAIR

Lisi Sfair vive a dança. A bailarina de 26 anos dança desde que se entende por gente. Nascida em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, começou a fazer parte ainda criança de uma companhia de jazz infantil. Aos 8 anos já participava de concursos de beleza e aos 9 começou a dançar flamenco na escola Tablado Andaluz. Para ela, a dança é uma forma de expressar o que sente sem julgamentos.

Apesar de sua família não ter nenhuma ligação com o mundo artístico, a arte foi algo que cresceu dentro dela desde muito cedo. Em 2006, após cinco anos na companhia de flamenco em Caxias do Sul, decidiu ir morar no Rio.

– Meus pais pararam a vida deles para me ajudar a seguir este sonho. No inípio, queria vir ao Rio para ser atriz, mas ao chegar, entrei para a escola de flamenco Studio Gesto e fui conhecendo um novo flamenco, conhecendo muitas pessoas e maestros e bailarinos espanhóis. Fui deixando um pouco de lado esse sonho de ser atriz e comecei a investir na carreira de bailarina.

No Brasil, participou de diversos espetáculos e festivais. Aos 17 anos, decidiu fazer uma prova para ingressar em um Conservatório de Dança em Madri, na Espanha, onde mora atualmente.

– Passei na prova e aí começou um momento muito importante que marcou a minha vida. Conheci e aprendi outras modalidades da dança espanhola, além do flamenco: dança estilizada, escola bolera, folclore espanhol. Fazia aula das 8h30 às 15h30 no Conservatório, e depois ia na Amor de Dios, a escola de flamenco em Madri, e fazia mais três horas de aula.

Enquanto estudava no Conservatório, fez um projeto no Brasil chamado Joyas Flamencas, durante três anos consecutivos e dançou em festivais na Espanha e outros países da Europa. Formou-se no Conservatório em 2015, com Matrícula de Honra em Flamenco e, a partir daí, começou a dançar nos tablados de Madri.

Atualmente dança no Cardamomo, um dos tablados mais renomados de Madri, faz parte da companhia de dança Ballet Flamenco Español, que realiza turnês pela Europa, e, paralelamente, segue com seus projetos pessoais.

– Trabalho profissionalmente desde muito nova, mais ou menos desde os 15 anos. Acho que foi natural, porque as coisas foram acontecendo e me dei conta dessa maturidade depois. Mas ter vindo à Espanha sozinha com 17 anos e ter aprendido a me virar desde cedo, em outro país, com outro idioma que não é o meu, foi difícil, mas aprendi a dar mais valor a tudo. Me considero uma mulher forte! Ser brasileira, dançar flamenco e decidir fazer carreira fora do Brasil, é bem difícil! Acho que mais que ser forte, tem que ser determinada. Acho que ajuda ter bem claras as idéias e os projetos para não sair do rumo.

Sobre ser mulher na dança, Lisi considera que estamos em um processo muito grande de transformação, não só na dança, mas em muitos setores. Otimista, acredita que o futuro será melhor para todas as mulheres.

– Se o machismo é melhor ou pior no Brasil ou na Espanha, é difícil definir. Posso afirmar que, pela História, no Brasil predominam algumas características e na Espanha outras. Mas acredito na nossa luta, pelos nossos direitos e pelo nosso lugar.

Quando pergunto sobre a importância da dança em sua vida, Lisi brinca: “acho que a pergunta teria que ser qual a importância da minha vida na dança”.

– Eu não saberia viver sem ela, é quando me sinto mais à vontade, é como me expresso, me inspiro. E a dança me ensinou a ver a vida por uma outra perspectiva.

Sua próxima viagem ao Brasil ainda não está programada.

– Adoraria ir ao Brasil agora mesmo, estou muito conectada com o Brasil e em contato com os meus companheiros e amigos do mundo do flamenco como Eliane Carvalho, Carolina Zanforlin, Ana Paula Campoy, Pedro Fernandez… Espero ter em breve datas concretas [de ir ao Brasil], mas a vontade de estar aí compartilhando e desfrutando é sempre imensa.

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Escrito por

Jornalista por profissão, vocação e paixão. ♡

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