SÉRIE MULHERES: LAÍS MELO E LORENA MENEZES

As psicólogas Laís Melo e Lorena Menezes, ambas com 29 anos, se conheceram durante a faculdade de psicologia, na UnB (Universidade de Brasília). Elas não se lembram quando se deu a aproximação mas, quando viram, estavam cada vez mais amigas e hoje tocam uma empresa juntas: a DimDom, um serviço especializado de babysitters, que preza o encontro inteiro com as crianças e já atendeu mais de 100 famílias em Brasília.

Elas estavam um pouco desmotivadas porque queriam fazer algo diferente mas não havia tanto campo na época. Foi aí que Laís surgiu com o projeto, no 5º ou 6º semestre do curso, que foi logo abraçado por Lorena. A ideia era trazer um serviço comum nos Estados Unidos, por exemplo, mas que não existia ali. Elas queriam realizar um trabalho onde unissem psicologia e crianças. Foi aí que surgiu a DimDom, quatro anos atrás.

– Nós já havíamos trabalhado juntas em um abrigo infantil, por três anos. Aquele foi um projeto incrível, a gente aprendeu demais com uma professora nossa, que acompanhou muito a gente na UnB, Regina Pedrosa, e ela ensinou muito pra gente sobre a brincadeira e sobre a relação mais cuidadosa e mais inteira com a criança – lembra Lorena.

As ideias eram anotadas em um papel, imaginando coisas que queriam realizar – e que hoje já podem riscar da lista. Como ainda moravam com os pais, estavam na faculdade e não havia uma obrigação de ter um salário, não foi tão difícil começar. Mas foi um início trabalhoso, de muita dedicação.

– Éramos só nós duas com nossas ideias, nossas vontades e uma caixa de brinquedos enorme na mão, que carregávamos para cima e para baixo. Foi muita correria, apesar de lá no início não ter tanta demanda. Quando finalmente falamos que fundamos a DimDom, havíamos realizado apenas 6 serviços no mês inteiro. Era muito gostoso, a gente comemorava muito a cada serviço, a cada cheque recebido.

Quando a equipe começou a crescer, contava somente com profissionais da área de psicologia, estudantes ou formados. No entanto, atualmente recebem pessoas de outras graduações – que tenham perfil e interesse. Hoje a equipe conta com 10 profissionais, todas mulheres.

– A gente tem certa rotatividade na equipe por conta do processo profissional de cada um, então a gente tem dado preferência agora para as pessoas que estão no início da formação, porque conseguem passar mais tempo com a gente. As pessoas se formam e, apesar de muitas vezes terem vontade de continuar na equipe, têm outros caminhos a seguir na vida, às vezes passam em um concurso, conseguem outro trabalho e não conseguem conciliar com a DimDom.

O número da equipe varia com a época do ano também, de acordo principalmente com os calendários das faculdades e resultados de provas de concursos. A DimDom oferece também um curso de formação duas vezes ao ano – que é pré-requisito para entrar na empresa, mas não é exclusivo para quem quer se candidatar.

– O curso se chama Relacionando-se com a criança através do brincar e da afetividade, que este ano vamos oferecer no próximo mês. Realizamos o curso tanto para receber pessoas novas na equipe como para capacitar pessoas que têm interesse em trabalhar na área ou até mesmo para familiares que desejam aperfeiçoar o conhecimento na área do desenvolvimento infantil e da brincadeira.

A DimDom atende em sua maioria crianças, mas também pessoas com necessidades especiais e idosos, este último chamam carinhosamente de Dimdoso.

– No início, as pessoas perguntavam muito para nós se atendíamos pessoas com autismo ou com deficiência visual e a gente afirmava que sim. É claro que nem sempre a gente esteve acostumado a trabalhar com esse tipo de público, com as necessidades dessas pessoas, mas nunca foi algo que impediu que a gente trabalhasse, conhecesse e aprendesse muito ao longo do processo. Deixávamos claro o tanto que a gente conhecia, nos mostrando sempre abertas a aprender e entender como é o universo daquela pessoa. Porque, na prática, todas as casa são assim, a gente não sabe quem a gente vai encontrar e como vai ser, e se prepara ao máximo para que seja o melhor encontro possível.

Lorena afirma que é claro que, nestes casos, há especificidades que estão menos acostumadas a conviver, mas através de conversas com a família, do período de adaptação quando necessário, de busca por informações, sendo sempre muito sinceras e abertas, falam o quanto dão conta daquilo e correm atrás para conhecer e atender cada vez melhor.

– A gente acredita que a linguagem universal com a criança é o brincar. E com o adulto também, mas não necessariamente vamos levar lego para um atendimento a um idoso, mas podemos levar um livro, uma música, uma palavra cruzada, um xadrez. Eu acho que o que é mais difícil é lidar com qualquer situação que seja nova, que a gente não tenha experimentado tanto e não tenha aprofundado o conhecimento. Então, independente de ser idoso ou uma pessoa com uma necessidade diferente ou uma criança nova, qualquer coisa que fuja do que a gente conhece se torna mais difícil. Mas, de modo geral, é só diferente, assim como atender um bebê é muito diferente de atender uma criança de quatro anos, que é completamente diferente de atender uma criança de dez anos.

A equipe faz reuniões mensais para discutir e fazer um apanhado geral do mês. Todos os atendimentos que as babysitters fazem, enviam feedback imediato para Laís e Lorena, e ele é analisado em conjunto, discutindo casos e tirando dúvidas.

– A gente enxerga que aí a psicologia entra muito fortemente no nosso trabalho, principalmente na resolução de conflitos. Então, se a criança chorou porque queria um brinquedo, nosso papel é perguntar o que ela está sentindo, se ficou chateada, se está com saudade da mãe. Então a psicologia entra nesta questão do reconhecimento e acolhimento emocional, e isso fez com que a gente escolhesse pessoas da área, mas vimos que estes recursos e técnicas são algo que qualquer pessoa pode aprender e faz muita diferença.

A DimDom trabalha também com consultorias. Neste caso, quem se reúne com os familiares são as próprias fundadoras. Ali, falam de resolução de conflitos, desenvolvimento infantil, brincadeira.

A diferença entre um serviço comum de babá e a DimDom é como o encontro é estabelecido. O que elas prezam desde o início é o olhar diferenciado para com a criança, visão que faz parte da filosofia da empresa.

– A ideia é que seja um serviço não somente aos pais, mas voltado também para as crianças. É claro que ele vem para suprir a necessidade das famílias, mas, principalmente, para suprir a necessidade das crianças. De maneira geral, na maioria dos serviços [de babysitter], você quer alguém para estar com a criança e ponto, dar comida e mantê-la bem e viva. Nossa proposta é proporcionar, neste momento em que estamos com ela, seja por meia hora, uma hora ou cinco horas, um encontro inteiro com ela e auxiliar principalmente no desenvolvimento afetivo e emocional.

Além disso, o objetivo não é ficar todos os dias com a criança. Por ser um serviço especializado, as sócias perceberam que não tem como manter a qualidade deste serviço se fosse algo diário, com tantas rotinas e obrigações.

– A gente sabe, reconhecendo a dificuldade e o cansaço do trabalho de uma babá que está todo dia com uma criança, que o que podemos oferecer é um serviço mais pontual. Virando um trabalho diário, muito longo, mudaria o foco do serviço, até porque a relação com a criança, por muito tempo, pode ficar mais cansativa mesmo. A gente preza por essa pontualidade mesmo, como se fossem momentos de intervenção.

O objetivo não é só manter a criança bem, alegre e brincando o tempo todo, mas sim ser um encontro real. No princípio, a DimDom veio preencher uma lacuna de quando os pais não tinham uma babá ou familiares para deixar a criança quando iam sair à noite, por exemplo. Hoje em dia, esta lacuna é outra. A DimDom é acionada para estar com a criança nos dias que os pais precisam ir à academia ou trabalhar dentro de casa mesmo, fazendo uma tese, por exemplo.

– É um momento onde os pais saem de casa e a gente está lá, que é difícil para a criança, muitas vezes. Estamos lá para poder até ampará-la se ela precisar desse amparo, é um momento que ela pode não brincar se não quiser, que ela pode até sentir raiva da gente por a gente estar ali quando ela queria estar com o pai ou com a mãe. A gente está inteira buscando o desenvolvimento emocional e pessoal da criança, e isso tem sido incrível porque, em famílias que a gente passa muito tempo atendendo, a gente percebe diferença da criança no relacionamento com os outros, e é muito gratificante.

No atendimento estão incluídos os cuidados básicos com a criança como dar banho, trocar fralda e dar comida, se for necessário, e o cuidado com o brincar. As babysitters levam uma mala básica de brinquedos que estimulam a criatividade como lego, animaizinhos de borracha, panelinhas, livros, tinta, lápis de cor, papel e, dependendo da idade, jogos mais ou menos elaborados.

– O foco é essa relação através da brincadeira. Então, mesmo na brincadeira, a babysitter vai estar lá com a criança trabalhando questões emocionais, dificuldades, prazeres e desprazeres, a relação com as regras. A gente nunca sabe o que vai acontecer, mas a gente sempre está indo muito disposta e aberta para saber o que aquela criança tem para dar pra gente e o que ela está precisando receber da gente também.

Para contratar os serviços da DimDom é necessário contatá-las com pelo menos 48h de antecedência para garantir o serviço. O contato pode ser feito via site, e-mail (contato@dimdombabysitters.com.br), facebook ou pelos telefones (61) 3702-2725 e (61) 98218-0856.

 

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Escrito por

Jornalista por profissão, vocação e paixão. ♡

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